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Julho 24, 2014

Abelhas são vítimas do uso indiscriminado de agrotóxicos

Hundreds of honey bees clustered densely on a wooden beehive frame with visible honeycomb cells. The frame is being inspected, showing the active colony at work in Gavião Peixoto, SP, where millions of bees disappeared last year.

Suspeitas recaem sobre os agrotóxicos usados em lavouras, como as de cana e laranja; Brasil caiu do 5º para o 10º lugar entre os maiores países exportadores de mel.

Apicultores do interior paulista voltaram a ter prejuízos com a morte de abelhas. A situação tem se repetido com frequência nos últimos anos e dessa vez é enfrentada na região de Leme, onde novamente a principal suspeita recai sobre os agrotóxicos usados em lavouras, como as de cana-de-açúcar e laranja. Estimativa da associação local aponta que mais de 200 colmeias já foram perdidas desde o início deste ano

Veja o vídeo do Greenpeace ‘SOS Abelhas’ que trata desta questão

O sumiço dos insetos é visto como responsável pelo Brasil ter caído do 5º para o 10º lugar entre os maiores países exportadores de mel. Nos apiários é comum ver colmeias completamente vazias. Muitas que ainda estão habitadas já estão contaminadas e são consideradas perdidas. Apicultores contam que as abelhas ficam debilitadas após serem atraídas às lavouras pela açúcar da cana e voltarem sob o efeito dos produtos agrícolas usados nas plantações. A partir daí vão morrendo e as colmeias deixando de produzir mel e própolis.

Já no caso da laranja, o que atrai o inseto é o néctar das flores, mas a forma de contaminação seria a mesma: os agrotóxicos usados hoje em larga escala para manter os pomares livres de pragas. Antonio Tadeu Pereira, que preside a associação dos apicultores de Leme, confirma que as abelhas estão morrendo e tudo aponta na direção dos produtos químicos. “Somente não sabemos qual substância estão usando”, diz.

O problema não é novidade na região e mortes de abelhas em larga escala já foram registradas em outros municípios próximos, como Gavião Peixoto (SP), que ano passado viu mais de 4 milhões desses insetos desaparecerem. Laudos chegaram a apontar como causa um inseticida usado na cana.

De acordo com o Sindicato Rural de Araraquara (SP), com o fim da queima da cana foi preciso ampliar as aplicações aéreas de agrotóxicos, porque antes o fogo matava todas as pragas. Entretanto, a entidade diz não ter uma explicação oficial que relacione os produtos com a morte das abelhas.

Números
Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), o Estado de São Paulo foi o maior exportador de mel do País no primeiro semestre deste ano. Foram contabilizadas 4,7 mil toneladas do produto, que garantiram aos apicultores US$ 18 milhões. Porém, se as abelhas continuarem desaparecendo, os reflexos poderão ser sentidos em pouco tempo

A natureza age como um corpo único, interligado de uma maneira altamente complexa e sustentável. Uma alteração em certo ponto da cadeia natural se reflete, muitas vezes, no resto do processo como um todo. E esse impacto, se não corrigido, torna-se cada vez mais visível na biodiversidade do planeta.

ESTADÃO e GREENPEACE