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Agosto 23, 2016

‘Academia brasileira precisa debater o FRACKING e se posicionar’

Large group of activists holding protest signs with "NÃO" (NO) messages in Portuguese, gathered indoors for what appears to be an environmental or social campaign event.

Para coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e Fundador da Coalizão Não Fracking Brasil, já passou da hora dessa temática entrar como prioridade nas pautas universitárias

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Durante palestra a alunos do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na manhã desta terça-feira (23), o coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e Fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – Juliano Bueno de Araujo, cobrou mais espaço na comunidade acadêmica para discutir o fraturamento hidráulico, método não convencional para extração de gás de xisto (shale gas), também chamado de Fracking.

“Não é possível que mesmo depois do governo brasileiro vender o subsolo para exploração do gás de xisto à indústria do hidrocarboneto, colocando em perigo a vida de milhões de brasileiros, nossa biodiversidade e as principais reservas de água, a academia brasileira se mantenha alheia ao debate”, afirmou Juliano.

Desde 2013, a COESUS, 350.org Brasil e Fundação Cooperlivre Arayara, com o apoio de dezenas de entidades e movimentos sociais, realizam a campanha Não Fracking Brasil para impedir que o fraturamento hidráulico aconteça no país. Dos 15 estados que tiveram o subsolo leiloado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e biocombustíveis (ANP), o Ministério Público Federal já obteve liminar suspendendo os efeitos dos leilões em seis e outros pedidos tramitam na Justiça Federal.

Além de conhecer os meandros da tecnologia, os riscos e perigos do Fracking, os alunos puderam entender qual a relação da extração do gás de xisto por fraturamento hidráulico com o agravamento das mudanças climáticas, seus impactos para produção de alimentos, segurança hídrica, elevação do nível do mar, saúde das pessoas e animais, e ocorrência de terremotos.

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Juliano Bueno de Araujo com a Professora Ana Flávia Godói.

Ao final da palestra, todos os participantes da Semana Acadêmica manifestaram sua indignação diante do silêncio das autoridades brasileiras em relação à intenção de se explorar comercialmente o gás de xisto por Fracking. A professora do curso, Ana Flavia Godói, foi categórica ao afirmar que “as universidades não podem permanecer herméticas e em silêncio a essa grave questão que pode afetar a todos num futuro bem próximo”. Ela contou que viu de perto os impactos do Fracking quando morou na Califórnia, nos Estados Unidos, período em que cursou seu doutorado. “Lá a situação é muito grave e desalentadora, com falta de água crônica e um cenário de devastação que mais parece um filme de ficção. Não posso acreditar que querem trazer isso para cá e a gente não sabe de nada”, lamentou.

Apoio da comunidade acadêmica

A Campanha Não Fracking Brasil realiza periodicamente palestras, seminários, oficinas de capacitação e sensibilização nas instituições de ensino, mas sempre de forma isolada graças ao apoio de professores e especialistas contrários à tecnologia. Pela importância e relevância, é fundamental que as universidades promovam um amplo debate interno que mobilize alunos, professores e funcionários para ampliar a discussão e levar esse tema para a sociedade.

“Afinal, o Brasil precisa investir numa matriz energética ultrapassada, poluente e injusta socialmente dos hidrocarbonetos quando temos um enorme potencial para a geração de energia limpa, renovável e segura? A Academia pode e deve contribuir para acharmos o caminho para um futuro sustentável”, questionou Juliano.

Agente de contaminação e destruição

FRACKING é a tecnologia utilizada para a extração do gás de xisto. Milhões de litros de água são injetados no subsolo a altíssima pressão misturados com areia e um coquetel de mais de 720 substâncias químicas, muitas delas cancerígenas e radioativas. Parte dos resíduos permanece no subsolo contaminando os aquíferos. O que retorna à superfície contamina os rios e nascentes, o solo e o ar, além de provocar câncer nas pessoas e animais.

Onde o fraturamento hidráulico ocorre não há água para consumo humano, o solo torna-se infértil para a agricultura e são registrados severos problemas de saúde, como má formação congênita, esterilidade nas mulheres e homens, abortos e doenças crônicas respiratórias.

A tecnologia também está associada a terremotos pelas fortíssimas explosões na rocha do folhelho pirobetuminoso de xisto e ao agravamento do aquecimento global pela emissão do metano, 86 mais danoso à camada de ozônio que o dióxido de carbono.

Por seus impactos severos e irreversíveis para o ambiente, produção de alimentos e saúde, o fraturamento hidráulico já foi proibido em dezenas de países e deixa um legado de devastação e destruição onde é utilizado.

Para saber tudo sobre a campanha basta acessar www.naofrackingbrasil.com.br. Envie para[email protected] seu endereço de e-mail e seja um voluntário da campanha pela Vida. 

Por Silvia Calciolari

Fotos: COESUS/350Brasil