Blog

Dezembro 1, 2017

Argentina: mais uma província livre do fracking

Aerial view of severe flooding covering agricultural land and residential areas. Floodwaters have inundated fields, roads, and communities, creating vast expanses of water with scattered trees and buildings visible.
Aerial view of severe flooding covering agricultural land and residential areas. Floodwaters have inundated fields, roads, and communities, creating vast expanses of water with scattered trees and buildings visible.

A Argentina deu ontem mais um passo importante na proteção dos recursos naturais e na proibição do fracking no território nacional. Na noite desta quinta-feira (30), a câmara legislativa da província de Santa Fé, localizada no centro-leste do país, aprovou por unanimidade a Lei de Águas. Protegendo uma população de mais de 3,3 milhões de habitantes num raio de 133 mil km2, a lei não só qualifica e define a água como um “direito humano”, como também proíbe quaisquer atividades ligadas à exploração não convencional de petróleo e gás pelo método do fraturamento hidráulico.

A lei contém 200 artigos e dentre os principais está o estabelecimento da água como “um recurso inalienável e imprescindível. A norma estabelece também que as águas subterrâneas e as aproveitáveis são de posse do Estado provincial, além de regular o acesso a esse recurso, sua utilização e os diferentes usos que ele pode ter.

Já o artigo que proíbe o fracking foi apresentado pelo deputado Ruben Giustiniani, que trabalhou a questão após vir à tona o acordo secreto entre as empresas YPF e Chevron para a exploração da região de Vaca Muerta, na província de Neuquén. Ele contou com a assessoria de especialistas no tema, como Ignacio Zavaleta, membro da Coalizão Latinoamericana Contra o Fracking (COESUS), para apresentar um projeto de lei contra o método, incorporado na lei na forma do artigo 46.

Em seu discurso, o deputado detalhou as consequências que a técnica gera para o meio ambiente, para o clima e para as comunidades locais. Ele também enfatizou a importância dos recursos hídricos e ressaltou que a América do Sul tem 50% das reservas mundiais de água doce, mas mesmo assim muitas pessoas no continente ainda não têm acesso a água potável.

“Durante anos temos trabalhado para conseguir uma legislação que regule o uso da água em Santa Fé. Desta vez conseguimos o consenso político necessário para isso. Um dos aspectos essenciais da lei é que proíbe a técnica do fracking na província. A jornada de ontem foi um marco muito importante. Existem reservas de hidrocarbonetos não convencionais em diversas partes do país, inclusive aqui. E o método de exploração por fracking é sabidamente contaminante”, afirmou ele.

Ele frisou ainda a importância da mobilização popular na luta contra essa técnica. “A participação dos movimentos sociais é fundamental para progredir com leis que protegem o ambiente. A aprovação de leis como a da água, dos bosques e dos glaciares não seria possível se não houvesse essa geração de consciência na população, que é o trabalho que ONGs como a 350.org têm feito, apesar dos grandes interesses econômicos envolvidos nessas temáticas.”

Para Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, a aprovação da lei é um reconhecimento das autoridades sobre a importância vital da água. “Os recursos naturais devem ser preservados para o bem da população e do planeta. Sem água não é possível manter a vida na Terra. Deixar que ela seja contaminada pelas grandes corporações que só querem o lucro é matar o que temos de mais precioso. O trabalho da COESUS e da 350.org é justamente pela preservação dessas riquezas que são únicas”, afirmou.

Santa Fé foi a segunda província na Argentina a aprovar a proibição do fracking. Em abril deste ano, Entre Ríos também se tornou território livre da prática. “Seguiremos trabalhando neste sentido, para atingir nosso objetivo maior, que é a proteção dos recursos naturais de nosso país e do meio ambiente como um todo”, completou o deputado Giustiniani.