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Março 28, 2018

COESUS leva mensagem contra o fracking a leilão de petróleo e gás

Event poster for anti-fracking campaign featuring seven speakers including Nicole de Oliveira, Juliano Bueno de Araújo, and indigenous leader Kreta Kaingang, scheduled for March 29 at ANP's 15th bidding round.
Event poster for anti-fracking campaign featuring seven speakers including Nicole de Oliveira, Juliano Bueno de Araújo, and indigenous leader Kreta Kaingang, scheduled for March 29 at ANP's 15th bidding round.

Nesta quinta-feira, dia 29 de março, a Agência Nacional do Petróleo e Gás (ANP) realizará a 15ª Rodada de Licitações de blocos para exploração de petróleo e gás. Diferente do cerceamento de participação que vinha ocorrendo nas últimas rodadas, dessa vez representantes da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS) terão um espaço de fala durante a sessão pública de ofertas, onde levarão às empresas investidoras e às autoridades governamentais a mensagem da sociedade civil brasileira contra a técnica do fraturamento hidráulico, mais conhecido como fracking.

O leilão, a ser realizado no Hotel Pullman, no Rio de Janeiro, será dividido em duas etapas: a primeira, na parte da manhã, contemplará os blocos marítimos, e a segunda, à tarde, os terrestres. Serão oferecidos no total 70 blocos em sete bacias sedimentares, abrangendo uma área de aproximadamente 95 mil km². A oratória dos membros da COESUS será realizada na abertura da sessão da tarde, e foi garantida pelo próprio diretor-geral da ANP, Décio Oddone, durante reunião fechada com a coordenação nacional da coalizão no final de fevereiro.

Sete membros da COESUS falarão em nome da sociedade civil, representando diversos estados e regiões do país ameaçadas pelo fracking. São eles: Juliano Bueno de Araujo, fundador e coordenador nacional da Coalizão; Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org no Brasil e América Latina, organização que integra a COESUS; Kretã Kaingang, cacique do Paraná e membro da coordenação-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib); Jardel Miranda, coordenador da Campanha Não Fracking Brasil no Maranhão; Reginaldo Urbano Argentino, representante da Diocese de Umuarama e integrante do Grupo de Trabalho da Mineração da Conferência Nacional do Bispos do Brasil (CNBB); Luís Adalberto Lunitti, agricultor e ex-prefeito de Toledo (PR), primeiro município a aprovar legislação contra o fracking no Brasil; e Suelita Rocker, agricultora e coordenadora da Campanha Não Fracking em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O fracking, método não convencional para exploração de petróleo e gás de grandes profundidades, utiliza milhões de litros cúbicos de água misturados com areia e mais de 600 solventes químicos, alguns até cancerígenos. Cerca de 40% deste material, chamado “fluido hidráulico”, retorna à superfície, enquanto o restante permanece no subsolo, próximo às fontes de água, contaminando assim rios e aquíferos. Dessa forma, o método comprovadamente causa diversos impactos socioambientais, à saúde humana e animal, à economia, inviabilizando a atividade agrícola e agropecuária. Além deste impactos, a técnica também intensifica as mudanças climáticas, uma vez que libera sistematicamente o gás metano, um dos causadores do efeito estufa e que, no curto prazo, é 86 vezes mais danoso que o CO².