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3 Novembro, 2022

COP em 2025 no Brasil, será?

Livia Lie

World temperature map showing global climate zones with color gradients from blue (coldest) at poles through green, yellow, orange, red (hottest) near equator, displaying Earth's thermal distribution patterns.

*Com informações de DW

Às vésperas da COP27, FBOMS pede ao presidente eleito Lula, que sinalize a vontade de o Brasil sediar a cúpula climática em 2025. Segundo o sistema de rodízio aplicado na escolha do país-sede, a América Latina e Caribe deverá receber o evento daqui a três anos.

“Nossa expectativa (proposta) é de que o vosso governo, desde já, sinalize a disposição do Brasil de sediar a COP30 em 2025, como ato político do compromisso de nossa contribuição significativa aos esforços globais para o enfrentamento da crise climática”, diz trecho da carta do fórum, endereçada nesta quarta-feira tanto a Lula como a seu vice, Geraldo Alckmin.

“No âmbito do regime multilateral de mudanças do clima, o Brasil pode e deve resgatar o papel de liderança”, diz outro trecho do documento.

O Brasil deveria ter sediado a COP25, em 2019, mas o governo de Jair Bolsonaro, então recém-eleito e em transição, retirou a oferta, alegando restrições orçamentárias.

“Tendo em vista as atuais restrições fiscais e orçamentárias, que deverão permanecer no futuro próximo, e o processo de transição para a recém-eleita administração, a ser iniciada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro viu-se obrigado a retirar sua oferta de sediar a COP 25”, informou uma nota do Itamaraty enviada ao portal G1 em novembro de 2018.

Diante dos retrocessos na política ambiental desde 2019, o especialista em acordos climáticos e membro do FBOMS, Rubens Born, um dos autores da carta, explica que o documento chama a atenção para a urgência do governo Lula em mudar a imagem do Brasil como “pária do meio ambiente”.

“Precisamos sinalizar para a comunidade internacional que, embora tenhamos muitos problemas a resolver na área ambiental, o Brasil está disposto a fazer a sua parte. Sediar a COP em 2025 é dizer que voltaremos a cooperar e que iremos fazer o nosso melhor possível para converter os índices de desmatamento e queimadas nos próximos três anos”, diz Born.

Leia a carta da FBOMS na íntegra aqui

A carta ainda aborda a importância de o Brasil retomar conselhos e espaços de participação da sociedade civil em questões relacionadas ao meio ambiente, além de ratificar o Acordo de Escazú, um acordo regional sobre Acesso à Informação, Participação Pública e Acesso à Justiça em Assuntos Ambientais na América Latina e Caribe.

“O Brasil tem a Lei de Acesso à Informação, isso é positivo, porém desde 2019 Bolsonaro dissolveu a participação da sociedade civil nas decisões públicas que afetam o meio ambiente. Ainda nessa linha, o Brasil é um dos países onde mais se assassinam defensores de direitos ambientais e indígenas. Precisamos voltar a garantir o acesso à informação e a proteção de quem trabalha com assuntos ambientais”, diz Born.

Em 2019, Bolsonaro reduziu de 22 para quatro o número de representantes da sociedade civil no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o principal órgão consultivo do Ministério do Meio Ambiente. Em 2020, o atual presidente excluiu a participação social do conselho deliberativo do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA).

Temos um longo caminho pela frente, mas ao menos, começamos a ver uma luz no fim do túnel, e você? O que acha?

Leia a carta da FBOMS na íntegra aqui

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Livia Lie – 350.org América Latina