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Janeiro 19, 2018

Fracking é uma das formas menos sustentáveis de energia segundo estudo

An oil pump jack operates in an arid desert landscape under a clear blue sky, surrounded by sandy terrain, utility poles, and industrial buildings in the background.
Oil pump jack in arid desert landscape under clear blue sky, with sandy ground, sparse vegetation, utility poles, and industrial buildings in background.
Estudo analisa os impactos ambientais, econômicos e sociais gerados pelo fracking.

A produção de energia a partir do gás de xisto consta como uma das fontes de energia menos sustentáveis, segundo grupo de pesquisadores de Manchester, ao se levar em conta como critérios: meio ambiente, economia e sustentabilidade social.

Apesar de ter sido banido pelo governo escocês, a exploração pelo fracking está atualmente acontecendo em diversas partes do Reino Unido. Para defender o potencial da extração do gás de xisto no Reino Unido, o governo o declarou como “exploração segura e ambientalmente saudável”.

Contudo, ainda há muito debate ao redor do fracking e, em um estudo publicado no jornal Science of The Total Environment , um grupo de pesquisadores avaliou a sustentabilidade ambiental, econômica e social do gás de xisto.“Muitos países consideram a exploração de gás de xisto, mas sua sustentabilidade geral é questionada” diz o professor Adisa Azapagic, da  Universidade de Manchester.

Por conta disso, os Estados Unidos continuam como única nação que vem realizando o fracking em grande escala. “Estudos anteriores que focaram principalmente nos aspectos ambientais do gás de xisto, em grande parte nos Estados Unidos, levantaram pouca informação sobre  aspectos  socioeconômicos”, disse o professor Azapagic.

Para direcionar esta lacuna informativa, Professor Azapagic e seus colegas levaram em consideração todos esses fatores e compararam diversas fontes de energia, incluindo combustíveis fósseis, renováveis e energia nuclear. “Isto nos possibilita avaliar a sustentabilidade geral, ao invés de focar em problemas específicos – como a poluição da água e comércio apenas – que, até então dominam, o debate sobre o gás de xisto”, afirmou Professor Azapagic.

A equipe descobriu que ao atribuir importância aos impactos ambientais, econômicos e sociais, a extração de gás de xisto classifica-se em sétima posição entre nove opções de energia. Isto o coloca acima do carvão, mas bem abaixo de opções renováveis como vento e energia solar.

Em relatório lançado em 2016, o Commitee on Climate Change (Comitê sobre mudanças climáticas) apontou a exploração de gás de xisto em grande escala como compatível com o plano de emissões atmosféricas do Reino Unido, somente se cumprisse com algumas condições.

Essas condições incluem limitação de emissões de gases do efeito estufa produzidas durante o desenvolvimento do fracking, além de garantir que o gás de xisto substitua as importações existentes, face ao aumento geral no consumo de gás.

“As incertezas sobre a natureza da fonte explorável do gás de xisto e a dimensão potencial da indústria no Reino Unido  torna impossível saber quão difícil será o cumprimento desses padrões”, afirma o  membro do comitê Professor Jim Skea, com base na pesquisa.

Levando em conta a sustentabilidade geral, Professor Azapagic e seus colaboradores mostram que mudanças consideráveis seriam necessárias para tornar o fracking tão sustentável quanto a energia eólica e solar – mais precisamente, seria necessário reduzir em 329 vezes seus impactos ambientais e aumentar em 16 vezes a geração de emprego.

“A pesquisa fornece mais evidências claras de que as fontes renováveis de energia são  melhor investimento do que a extração de gás de xisto, isso sem contar os impactos devastadores do fracking ao ambiente e à saude humana”, afirma Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas da 350.org Brasil e da Coalizão Não Fracking Brasil pela Clima Água e Vida (COESUS)

“O fracking está simplesmente caindo por terra,” afirmou Emma Gibson, senior campaigner do Greenpeace do Reino Unido. “Números do próprio governo mostram que a quantidade de energia gerada por queima de gás deve reduzir pela metade em 2025, e depois os renováveis vão tomar o lugar dos gás como principais fontes britânicas de energia. O Reino Unido não precisa do fracking como energia do futuro e nem pode se permitir a isso se quiser honrar com compromissos climáticos”, afirma.

Fonte: The Independent