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19 Fevereiro, 2018

Precisamos falar sobre ativismo climático

Women participate in an art workshop, painting on fabric with brushes and colorful paints. They're gathered around a table, focused on their creative work in a collaborative community setting.

Por Caroline Kwasnicki

Combater as mudanças climáticas para salvar o planeta: essa é só uma – grande – parte da história. A verdade é que o caos climático não é apenas uma questão ambiental. É também econômica e de justiça social, pois no fim das contas, os desastres e acidentes não escolhem hora nem lugar para acontecer, mas nós sabemos que quem sofre mais com os impactos são as comunidades menos resilientes – e que muito provavelmente foram as que menos contribuíram para chegar onde estamos.

Por isso, não podemos mais agir passivamente e deixar mais esse problema na conta do planeta. O caos climático é um dos maiores desafios que a humanidade já enfrentou. E um dos principais fatores que contribuíram para o aquecimento global, intensificador das mudanças climáticas, são os combustíveis fósseis. Precisamos avançar várias casas no jogo para ficarmos livres da aparente dependência dessa fonte de energia e buscar por alternativas mais sustentáveis e limpas para o nosso planeta e para todos. Elas já existem! Mas nós precisamos acelerar essa transição.

Não podemos deixar essa responsabilidade apenas nas mãos de nossos representantes, que incansáveis vezes já incentivaram ou ainda continuam a incentivar a indústria fóssil. Seja por ignorância, por oportunismo ou por corrupção. Ou simplesmente por parecer ser o caminho mais fácil. A mudança também depende de nós. E é aí que o ativismo climático entra.

Environmental protest in front of historic domed building features large black cloud sculpture with Portuguese text and display of ocean photographs held by activists raising awareness about carbon emissions and climate change.
Manifestação pacífica no Rio de Janeiro contra as rodadas do Pré-sal em 2017

“Juntos somos mais fortes” é um clichê, mas é também um fato. Nós sabemos que com pressão popular, quando trabalhamos unidos, é possível encarar a ameaça e construir um mundo livre dos combustíveis fósseis. Ser ativista e lutar pela causa climática é defender a vida. Levantar nossas vozes é necessário, e quanto mais pessoas seguem engajadas e preocupadas com as questões ambientais, mais forte o movimento fica. Quando construímos o poder local, essas vozes são impossíveis de serem ignoradas.

Você quer construir um mundo livre dos combustíveis fósseis? A campanha global Zero Fósseis propõe uma revolução energética, que pede o fim do crescimento da indústria fóssil e uma rápida transição para fontes de energia 100% renováveis, livres e justas para todos. Vem com a gente. Nós precisamos de você!

Curso de Ativismo Climático

A 350.org Brasil vem realizando uma série de cursos gratuitos sobre Ativismo Climático, com o objetivo de falar sobre as mudanças climáticas e seus impactos, de compartilhar experiências e ferramentas para novas campanhas, de ajudar no desenvolvimento do pensamento estratégico e a desenhar estratégias coletivas de atuação.

Essa é uma ação da campanha global Zero Fósseis da 350.org, que precisa das comunidades locais que queiram acabar com a era dos combustíveis fósseis para conquistarmos, juntos, uma transição justa para um futuro com fontes de energia 100% renováveis e livres.

Em novembro do ano passado, os alunos da UniCesumar Maringá participaram do curso ministrado pela diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Oliveira. Eles tiveram a chance de aprofundar o conhecimento sobre as mudanças climáticas, além de desenvolver estratégias coletivas de atuação e ferramentas para campanhas.

“Participar do curso de Ativismo Climático da 350.org Brasil foi algo que mudou a minha vida. Entender o que está acontecendo com o planeta e o que estamos fazendo com ele, foi um choque de realidade. Mas aprender o que podemos fazer para mudar esse cenário é uma oportunidade incrível. Começar por mim e propagar esses conhecimentos é um objetivo de vida agora. Eu só tenho a agradecer à 350.org e à Nicole por essa mudança na minha vida”, comenta Yasmin Rodrigues, do curso de Ciências Biológicas da UniCesumar.

Students collaborate in a classroom setting, gathered around desks in small groups. The room has white walls, fluorescent lighting, and basic furnishings, creating a simple learning environment for discussion and teamwork.
Yasmin Rodrigues com outros colegas durante o curso na Unicesumar

Já em janeiro desse ano foi a fez de Peruíbe receber o curso de ativismo climático. Vários moradores participaram e continuam engajados com as causas ambientais do município. “O trabalho desenvolvido por essas instituições é sério, incansável e emocionante! A partir da reflexão de que ‘somos todos um’, somos orientados e alertados para a necessidade da justiça social e ambiental, para o bem da qualidade do ar que respiramos, da água que bebemos e para a preservação da vida em nosso frágil planeta Terra”, relata Roselly Pizzolotti, uma das participantes do curso.

A woman with glasses and gray hair wearing black sits next to a person in a straw hat, both engaged in an art or writing activity with colorful markers on a table.
Roselly Pizzolotti durante o curso de Ativismo Climático em Peruíbe

Lembrando que recentemente a comunidade de Peruíbe encarou uma longa batalha contra a instalação de uma usina termelétrica na cidade. Graças à pressão popular, os vereadores da cidade aprovaram uma emenda à lei orgânica que impede o projeto da construção de termelétricas no município e de outros empreendimentos poluentes. Peruíbe é não só um exemplo de ativismo climático, mas um exemplo para o Brasil e para outros países na luta contra a indústria fóssil e de que é possível, sim, caminhar rumo a um mundo livre dos combustíveis fósseis.

Você gostaria de ver esse curso acontecendo em sua cidade? Envie um e-mail para [email protected] com os seus dados e conta pra gente se você conhece outras pessoas que teriam interesse em participar também!