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Novembro 6, 2018

Primeira tentativa de exploração de gás de xisto frustrada em Floriano (Piauí)

Livia Lie

Construction site with tall drilling rig and white informational signage board displaying project details for natural gas operations, set against a clear sky in an industrial area.
Construction site with tall drilling rig and white informational signage board displaying project details for natural gas operations, set against a clear sky in an industrial area.
Fonte: Piauí Notícias

FLORIANO (PIAUÍ) – Apesar de não ter se posicionado oficialmente, tudo indica que a primeira tentativa de exploração de gás de xisto na região de Floriano pela empresa Ouro Preto Óleo e Gás, não teve sucesso.

Segundo a Piauí Notícias, os profissionais que trabalharam no local situado à cerca de 20 km da sede do município, nas proximidades da Localidade Morro Vermelho, ao lado da BR 343, disseram que as máquinas chegaram a cavar aproximadamente 2 mil e 500 metros de profundidade e não alcançaram êxito. Toda a estrutura montada para os trabalhos já fora retirada. Todavia, não há ainda sequer uma nota oficial emitida pelas autoridades ou por representantes da empresa.

Alguns empresários florianenses, fornecedores de equipamentos e serviços à empresa que estava trabalhando na escavação, confirmaram à reportagem a desativação da draga e o insucesso desta primeira escavação. “Os responsáveis pela parte financeira quitaram o débito do que forneci e me informaram que não encontraram nada, mesmo cavando 2.500 metros” informou um empresário local do setor de autopeças.

Esse fato só consolida a enorme bolha especulativa que está se formando em torno da exploração não-convencional do gás de xisto (fracking).

“Há muita especulação financeira quando o assunto é exploração do gás de xisto. O mercado vende a exploração não-convencional como sendo um milagre econômico, porém, a operação é muito mais custosa, não existe garantia de que há algo ali e, caso haja algo, produção cai violentamente em menos de 5 anos. O que mais preocupa, porém, não são as especulações financeiras infundadas na exploração do gás de xisto. O que mais nos preocupa são as contaminações do solo, da água e do ar que esse tipo de exploração deixa como passivo. Nós acompanhamos de perto a situação na Argentina e, com muito pesar, vimos famílias que viviam há gerações da agricultura e da pecuária tendo que abandonar suas terras pois não conseguiam mais vender seus produtos. Vimos também a população local tendo sua saúde fortemente afetada, escolas recebendo água misturada com petróleo, famílias com casos de câncer, a situação é muito séria. Nós não podemos permitir esse tipo de exploração”, disse Juliano Bueno, coordenador da campanha Não Fracking Brasil.

Fonte: Piauí Notícias