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Maio 10, 2018

Protestos contra exploração de petróleo no Algarve continuam

Protesters hold red X-shaped signs with Portuguese text including "Petróleo e Gás no Algarve" and "Obrigado!" during a demonstration against oil and gas extraction in the Algarve region.
Protesters hold red X-shaped signs with Portuguese text including "Petróleo e Gás no Algarve" and "Obrigado!" during a demonstration against oil and gas extraction in the Algarve region.
Foto: Movimento Algarve Livre de Petróleo

As intenções de prospecção e exploração de petróleo na região do Algarve, em Portugal, continuam, mas a resistência da população local e de diversas pessoas no mundo todo também. Há meses a população está mobilizada para proteger a região da indústria fóssil e para impedir que os projetos de exploração continuem.

Mais um exemplo disso será o protesto organizado pelo Movimento Algarve Livre de Petróleo (MALP) na próxima quinta-feira, dia 17 de maio, na Câmara Municipal de Aljezur, às 16h30. O objetivo é pressionar o novo Presidente da Câmara, José Gonçalves, e descobrir a real intenção do governo de António Costa com as explorações de petróleo na localidade. O MALP também cobra atitudes reais das autoridades para travar esse crime político e ambiental.

A manifestação também pretende ser um alerta para toda a população do Algarve, de que as petrolíferas GALP (empresa portuguesa no setor de energia, detentora da Petrogal e da Gás de Portugal) e ENI (multinacional petrolífera presente em setenta países) já anunciaram para muito breve o furo de petróleo em Aljezur. Por isso, “é necessário um alarde cívico para impedir a entrega do território do Algarve e da costa litoral do Alentejo para a indústria petroquímica”, dizem os apoiadores do movimento.

Em apoio à campanha contra a exploração em Aljezur, membros da 350.org Brasil e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS) conversaram com centenas de pessoas durante o Fórum Alternativo Mundial da Água sobre essa ameaça. O Fórum aconteceu em Brasília entre 17 e 23 de março, e diversas pessoas se sensibilizaram com a causa e enviaram mensagens de apoio.

“No Brasil temos uma campanha há alguns anos e trabalhamos duro para proibir a exploração de petróleo e gás de xisto. Já conseguimos banir essa prática de mais de 380 municípios no país e temos ampliado nossas ações também para nossos vizinhos da América Latina, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Colômbia. Não podemos aceitar mais nenhum novo projeto com combustíveis fósseis. Nem do lado de cá, nem do lado de lá”, afirmou Juliano Bueno de Araujo, fundador da COESUS e coordenador de campanhas climáticas da 350.org.

Three protesters hold signs opposing fracking in Brazil and Portugal's Algarve region. Signs feature skull symbols and text reading "NÃO AO FURO ALGARVE ALJEZUR PORTUGAL" and "NÃO FRACKING BRASIL" in Portuguese.

Entenda o problema

Aljezur está localizada no Algarve, uma região litorânea que fica no sul de Portugal e que é considerada uma das regiões mais turísticas no verão europeu e uma das mais ricas do país. No começo do ano, o governo português prorrogou a licença de prospecção de petróleo na região em três concessões no oceano Atlântico, o que inclui a realização de uma perfuração de teste em águas profundas, a cerca de 46 quilômetros de Aljezur.

Essa decisão vai contra a dinâmica econômica da região e é incoerente com as estratégias do governo de utilizar energias renováveis, além de contrariar a resolução anunciada pelo primeiro-ministro, António Costa, na conferência do Clima das Nações Unidas (COP 22), em Marrakesh, em 2016, de fazer evoluir a economia nacional para chegar a um modelo neutro em carbono até 2050.

O Movimento Algarve Livre de Petróleo recorda também que o contrato de exploração de petróleo ao largo de Aljezur foi assinado em 2007 pelo ex-Ministro Manuel Pinho, durante o Governo de José Sócrates. A autorização da exploração em Aljezur em 2018 foi dada pelo atual Governo do Primeiro-Ministro António Costa.

Como outro exemplo de que a indústria petrolífera anda envolta em casos de corrupção, o Presidente da GALP, Carlos Gomes da Silva, é acusado de ter pago viagens a membros do Governo de António Costa e a deputados da oposição. Carlos Costa Pina, atual Administrador da GALP e ex-Secretário de Estado do Tesouro do Governo de José Sócrates é acusado no mesmo caso.

Campanha #pararofuro

Four people hold a banner reading "#PARAROFURO" in front of a gas station with Santander Totta branding and an orange canopy. They appear to be staging a protest or demonstration.
Foto: Climáximo

O Climáximo, grupo de ativistas movidos pela urgência do combate às alterações climáticas e os seus graves efeitos, está promovendo a competição “selfies contra o furo”. Essa é mais uma de várias iniciativas cidadãs para impedir a exploração. A ideia é que as pessoas tirem fotos ou façam desenhos e montagens, com a hashtag #pararofuro. Você encontra mais informações sobre essa ação aqui.

Seja para participar da competição ou não, você pode enviar a sua mensagem de apoio utilizando a #pararofuro e postando em suas redes sociais!