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Janeiro 19, 2018

Racismo contra indígenas: o discurso que alimenta a violência

Indigenous people in traditional feathered headdresses and ceremonial attire speak to a seated audience in a modern conference room with a projector screen and sheer curtains.

Daiana Lopes

Vinte anos se passaram desde a morte do indígena pataxó Galdino Jesus dos Santos,  queimado vivo por quatro jovens enquanto dormia em um ponto de ônibus, em Brasília. O caso que ganhou repercurssão nacional é apenas um entre incontáveis crimes cometidos contra indígenas, que passam despercebidos, ocultos por seus autores ou ignorados pela grande mídia.

Galdino foi à capital com outras sete lideranças para reinvindicar a  recuperação da Terra Indígena Caramuru-Paraguaçu, em conflito fundiário com fazendeiros – que vitimou anos antes seu irmão. Passa o tempo, mudam etnias e aldeias, mas a problemática persiste ao longo do território nacional.

E a violência, institucionalizada, muitas vezes incitada pelos próprios  representantes políticos do país, acaba por alimentar o preconceito e o racismo contra os povos originários – como alguns exemplos, a polêmica fala  do Deputado Federal, Luis Carlos Heinz – ao afirmar que índios, quilombolas e homossexuais “são tudo o que não presta” e afirmações preconceituosas do ministro Gilmar Mendes, na discussão sobre o marco temporal.

É o que aponta Kretã Kaingang, representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e coordenador do programa indígena da 350.org Brasil. Kretã  participou nesta quinta-feira (18) do Debate Público “De Galdino a Marcondes”, ao lado de diversas lideranças indígenas na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, para debater propostas para uma luta nacional contra o racismo – evento organizado Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (MUPOIBA).

Indigenous people in traditional feathered headdresses and ceremonial attire speak to a seated audience in a modern conference room with a projector screen and sheer curtains.

“Foi um encontro importante pois todos puderam expor situações e pudemos falar também sobre o  assassinato do parente Xokleng.  É consenso que diversos casos vivenciados tratam-se de crimes de racismo e de ódio – que observamos com mais força agora na região sul, que possui um histórico recente de crimes contra indígenas”, afirma o líder kaingang.

O caso mais recente de crime contra indigenas aconteceu no dia 1 de janeiro, em Santa Catarina. O professor Marcondes Xokleng foi morto a pauladas durante a madrugada e o assassino alegou motivo fútil. Familiares e movimentos indígenas defendem o apronfundamento das investigações para chegar à real motivação do crime.

O grupo sugeriu que sejam realizados novos encontros para debates sobre o racismo contra povos originários em outras universidades do país. Representates da Universidade Federal da Bahia devem encaminhar um documento a outras instituições para sugerir a apresentação do tema. “Precisamos não apenas cobrar justiça quanto a crimes já realizados, mas reforçar o combate a discursos que incitam essa violência”, afirma Kretã

A group of indigenous and environmental activists in Brazil holding protest signs against fracking. Signs display "NÃO FRACKING BRASIL" with skull symbols and messages about water and coal. Two people wear traditional feathered headdresses.