Imprensa

Dezembro 24, 2024

Chegou a hora do Vaticano desinvestir dos combustíveis fósseis.

Nighttime climate protest with activists holding signs around illuminated "FOSSIL FREE VATICAN" text on ground, gathered near statue with bright lights creating dramatic scene advocating for environmental action.
Nighttime climate protest with activists holding signs around illuminated "FOSSIL FREE VATICAN" text on ground, gathered near statue with bright lights creating dramatic scene advocating for environmental action.

Há muitos anos que os religiosos reconhecem que o chamado para cuidar daqueles às margens da sociedade é a chave para viver sua missão.

Esta semana, 35 organizações e instituições católicas anunciaram sua decisão de desinvestir dos combustíveis fósseis, reconhecendo o impacto dessas empresas nocivas sobre as pessoas às margens da sociedade. A Cáritas Internacional – uma confederação de 165 organizações católicas de assistência, desenvolvimento e serviço social que atua em mais de 200 países e territórios, e que também é uma instituição oficial da Igreja Católica, está entre as instituições que se comprometeram a desinvestir dos combustíveis fósseis.

Na visão do Papa, uma mudança ética e econômica é é urgentemente necessária para evitar mudanças climáticas catastróficas e as desigualdades crescentes.  O Papa Francisco também tem elogiado grupos de cidadãos e organizações não governamentais que militam pelo cuidado com o meio ambiente. Ele defende os boicotes por consumidores que “conseguem mudar o comportamento das empresas, forçando-as a reconsiderar o impacto ambiental e seus modelos de produção. Quando os hábitos da sociedade afetam os ganhos das empresas, estas se veem pressionadas a mudar sua forma de produzir. (…) ‘Comprar, além de econômico, é sempre um ato moral.’” (Laudato Si, 206)).

Agora, a humanidade precisa se manter unida na resolução da crise do nosso tempo. As mudanças climáticas não são apenas uma questão para cientistas, políticos e ativistas, mas para todos com uma consciência ética. Em um momento como esse, o Vaticano precisa usar sua liderança moral e ética e desinvestir dos combustíveis fósseis.

A Igreja Católica tem sido estimulada a isso desde o lançamento da encíclica papal Laudato sì, pioneira no assunto – lançada em junho de 2015 às vésperas da conferência climática de Paris. Desde então, o número de instituições católicas compromissadas com o desinvestimento decolou, passando de 8 para 103. Hoje, as instituições católicas representam mais de 10% de todos os compromissos com o desinvestimento. A Laudato sì foi a resposta papal ao “choro da terra e ao choro dos pobres”. Esses lamentos são um resultado direto do modelo de negócios irresponsável da indústria dos combustíveis fósseis. A única resposta moral possível é recusar nosso consentimento em relação a essas práticas, retirando nossos investimentos destas empresas.

Líderes mundiais de todas as ordens deveriam se inspirar nas palavras do Papa Francisco e, da mesma forma, liderar as chamadas para a ação. “O caminho evidente e necessário para abordar a crise climática é aquele que liberta a humanidade da prisão em que os combustíveis fósseis colocam nossa vida e o planeta. Esta encíclica reforça a mudança profunda que está acontecendo. Não podemos simplesmente continuar tratando a Terra como uma ferramenta a ser explorada.

Para todas as instituições religiosas, o desinvestimento dos combustíveis fósseis é, antes de tudo, uma decisão pela coerência moral. O desinvestimento dos combustíveis fósseis é uma forma de cuidar de nossa casa comum e de nossos irmãos e irmãs mais pobres, que sofrem os piores impactos das mudanças climáticas.