Imprensa

Julho 29, 2022

No Fórum Social Pan-Amazônico, comunidades discutem ações de resistência a petróleo, gás e fracking na Amazônia

Environmental protesters gather at sunset holding banners against fracking in the Amazon and Colombia. The crowd displays signs reading "AMAZÔNIA SEM FRACKING" and "NO AL FRACKING EN COLOMBIA" under street lights.

Debate em Belém, em 29 de julho, reunirá representantes indígenas e ribeirinhas para troca de experiências sobre a luta por um bioma livre do extrativismo fóssil

Environmental protesters gather at sunset holding banners against fracking in the Amazon and Colombia. The crowd displays signs reading "AMAZÔNIA SEM FRACKING" and "NO AL FRACKING EN COLOMBIA" under street lights.
Na marcha de abertura do Fórum Social Pan-Amazônico, em 28 de julho, em Belém, manifestantes carregam faixas pelo fim do fracking na Amazônia e na Colômbia.

Nesta sexta-feira, 29 de julho, a luta das comunidades tradicionais por uma Amazônia livre da extração de petróleo e gás ganha destaque na agenda do Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA), evento que reúne centenas de ativistas socioambientais em Belém.

Lideranças indígenas e ribeirinhas da Amazônia brasileira e de outros países participarão da exibição de um curta-metragem, seguida por uma discussão aberta ao público sobre os danos das empresas de combustíveis fósseis aos territórios tradicionais. Também trocarão experiências sobre as formas de resistência das comunidades a esses impactos.

A atividade terá início às 15h, com duração de duas horas, e será realizada na sala 101 do Mirante do Rio, no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), na capital paraense.

Organizam o debate a ONG global de campanhas pelo clima 350.org, a Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (COIPAM) e a Associação de Silves pela Preservação Ambiental e Cultural (ASPAC).

“As comunidades tradicionais da Amazônia estão na linha de frente dos impactos causados pela extração de combustíveis fósseis e, por isso, da resistência a essas atividades. Elas estão alertando o mundo sobre os desastres que petróleo e gás já provocam e os estragos ainda maiores que podem causar, se não protegermos a floresta que garante a vida nesse enorme território”, afirma Renan Pereira, coordenador de campanhas da 350.org.

Serviço
O quê: Debate: Petróleo e gás, uma ameaça silenciosa à Amazônia
Quando: 29/07, 6a-feira, das 15h às 17h
Onde: Sala 101 do Mirante do Rio, Campus da UFPA, Belém (PA)

Contato para a imprensa
Peri Dias
Comunicação da 350.org na América Latina
[email protected] / +351 913 201 040

 ###############################

CONTEXTO

Impactos das empresas de combustíveis fósseis à Amazônia são frequentes e graves

A extração de petróleo e gás já prejudica a vida das comunidades tradicionais da Amazônia, que sofrem com vazamentos de óleo, invasões de território, abertura de estradas e canteiros de obras em suas terras e áreas vizinhas, além de ameaças às lideranças contrárias às empresas do setor e tentativas de cooptação de parte da comunidade. 

No Brasil, o povo Mura do Amazonas vem protestando desde o ano passado contra a iniciativa da Eneva, empresa de petróleo e gás que tem o BTG Pactual como um de seus acionistas, de extrair gás no sul do estado sem realizar a devida consulta às comunidades afetadas e potencialmente afetadas pela atividade. 

Como signatário da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil deve fazer valer a determinação de que empresas responsáveis por empreendimentos que impactem Terras Indígenas têm a obrigação de promover a consulta livre, prévia e informada a essas comunidades. Porém, esse compromisso é muitas vezes desrespeitado pelas companhias e negligenciado pelos governos estaduais e federal.    

O próprio governo brasileiro promove a destruição ambiental da Amazônia em benefício das empresas de petróleo e gás.  Em dezembro de 2020, por exemplo, 16 blocos de petróleo e gás na Bacia do Amazonas foram oferecidos à exploração pela iniciativa privada, em leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) 

À época, a imprensa noticiou um estudo da 350.org que apontou que a produção de petróleo e gás nesses locais pode provocar ou agravar impactos socioambientais consideráveis, como desmatamento, invasões e conflitos, em 47 terras indígenas e 22 unidades de conservação do entorno. A ANP ignorou o estudo e manteve os blocos à disposição. Dezenas de outras áreas no bioma encontram-se, até hoje, disponíveis para exploração no sistema de oferta permanente da agência.

O problema não está restrito ao Brasil. Na Amazônia equatoriana, por exemplo, são frequentes os desastres envolvendo a indústria petrolífera, como o vazamento de óleo nos rios Napo e Coca, em abril de 2020, que deixou milhares de famílias sem água para beber, tomar banho e cozinhar, no auge das medidas de isolamento social contra a Covid-19.

Longe de serem casos isolados, os vazamentos afetam os povos amazônicos também no Peru. O estudo A sombra do petróleo, divulgado pela Oxfam em 2020, estima que, entre 2000 e 2019, o número de derramamentos ocorridos no norte da Amazônia chegou a 474. 

Para agravar o quadro, o Brasil e outros países que possuem território no bioma amazônico ainda não proíbem, em lei federal, o uso do fracking, técnica de extração de petróleo e gás que já foi banida em diversos países, incluindo Inglaterra, França e Espanha. O uso do fracking na Amazônia nunca foi descartado pelas companhias de combustíveis fósseis, o que representa um risco adicional em caso de expansão desse tipo de atividade. Estudos científicos em diversos países relacionam o fracking a danos como terremotos e contaminação das fontes de água.

“Debater e apoiar a luta dos povos tradicionais por uma Amazônia sem empreendimentos de petróleo e gás e sem fracking é uma questão de justiça com esses povos, mas também de necessidade para a espécie humana. A maior floresta tropical do planeta precisa ser protegida contra as agressões provocadas pelo setor de combustíveis fósseis, se quisermos ter alguma chance de limitar a crise climática”, afirma Luiz Afonso Rosário, coordenador de campanhas e ações da 350.org em apoio a povos tradicionais.

Sobre o FOSPA

O Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA) é um evento/processo de alcance global que surge no âmbito do Fórum Social Mundial, para lutar pela vida, a Amazônia e seus povos. É um espaço de articulação dos povos e movimentos sociais para a incidência e a resistência política e cultural frente ao modelo de desenvolvimento neoliberal, neocolonial, extrativista, discriminador, racista e patriarcal.

Sobre a 350.org

A 350.org é uma ONG global de campanhas pela ação climática, que trabalha sempre ao lado de comunidades locais pelo fim da era dos combustíveis fósseis. Para alcançar uma transição energética justa, rápida e abrangente, a organização lidera e apoia iniciativas de pressão sobre governos, empresas e instituições financeiras. O objetivo dessas ações é que as organizações responsáveis cortem os recursos que alimentam o setor fóssil, barrem novos empreendimentos de petróleo, gás e carvão e atuem pela implementação de soluções energéticas que atendam as necessidades das comunidades e coloquem-nas no centro das decisões. Entre as campanhas da 350.org no Brasil estão a Resistência Amazônica, que amplifica as demandas de povos tradicionais pela proteção da Amazônia frente às ameaças da indústria fóssil, e a iniciativa Territórios Pesqueiros Livres de Petróleo e Gás, que fortalece a luta de pescadores, marisqueiras e quilombolas em Alagoas e Sergipe.