Imprensa

Julho 18, 2019

Os 295 municípios catarinenses ficaram livres da exploração de óleo e gás de xisto

A speaker at a podium holds a sign about petroleum, gas, and coal at a Zero Fossil Fuels Brazil event. Purple banners display the 350.org campaign branding, with attendees seated behind the speaker.

Projeto de lei que proíbe a exploração foi aprovado na Assembleia Legislativa e segue para análise e sanção do governador Carlos Moisés (PSL)

A speaker at a podium holds a sign about petroleum, gas, and coal at a Zero Fossil Fuels Brazil event. Purple banners display the 350.org campaign branding, with attendees seated behind the speaker.

Após diversas mobilizações, que foram realizadas do Alto Vale do Itajaí ao Planalto Norte, a proibição da exploração de óleo e gás de xisto em Santa Catarina pode se tornar realidade. Na noite de terça-feira (16), foi aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) o projeto de lei nº 145/2019, de autoria do deputado Valdir Cobalchini (MDB), que assegura a proibição em todo o território catarinense. Dessa forma, mais de 7 milhões de pessoas que residem no quinto estado mais rico do Brasil poderão manter suas atividades no ramo da agricultura, indústria, turismo e pesca sem os grandes impactos gerados pelas práticas. O próximo passo é a análise do texto pelo governador Carlos Moisés (PSL), para posterior sanção governamental. 

“Desde 2016, nós da 350.org Brasil, da Coalizão Não Fracking Brasil (COESUS) e do Instituto Internacional Arayara, trabalhamos em conjunto com comunidades, agricultores, técnicos, organizações, associações e voluntários para lutar contra a mineração do xisto e do fracking em território catarinense, juntos mobilizamos mais de 50 municípios no Estado de Santa Catarina. Durante esse período destaco a participação da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (AMAVI), e da Cáritas de Santa Catarina que vem nos apoiando e nos ajudaram a mobilizar  mais de 28 municípios contra o fracking desde o início. Já em Papanduva, contamos com Associação de Proteção da Bacia do Rio São João e da Bacia do Rio Papanduva (PRORIOS) e mobilizamos mais 15 municípios. Em outras palavras, a aprovação é uma grande vitória de um imenso trabalho em equipe, que hoje pode salvar os catarinenses deste desastre”, celebra o diretor associado de Campanhas e Mobilizações da 350.org América Latina e diretor fundador da COESUS, Juliano Bueno de Araújo. 

O geógrafo, pesquisador do Projeto Rede Guarani Serra Geral e voluntário da COESUS, Luciano Augusto Henning, destaca a importância da proibição da extração, visto que as técnicas poderiam contaminar os aquíferos Guarani e Serra Geral, e também trariam inúmeros outros problemas, como a questão territorial.

“A extração de óleo e gás de xisto seria uma atividade que concorreria e prejudicaria muito a agricultura catarinense, que hoje já está bem estabelecida economicamente”, conta Henning

Cobalchini, deputado autor do projeto, está confiante sobre a sanção governamental, “livrando o território catarinense deste mal que estava o ameaçando“. “Além do dano ao meio ambiente, a produção dos milhares de agricultores estaria comprometida, fazendo com que eles perdessem suas propriedades, deixando os terrenos impróprios para plantio e também sofrendo com seríssimas restrições fitossanitárias aos produtos. Esperamos que, assim como no Paraná, essa lei seja sancionada”, complementa.

O deputado Fabiano da Luz (PT), proponente da audiência pública que foi realizada em junho no município de Papanduva (SC), também lembrou que as duas técnicas de exploração são extremamente prejudiciais e contaminam o solo, a água, causam câncer, sendo trágicas para todo o estado. “A Alesc deu um grande passo com a aprovação desse projeto, com 31 votos favoráveis e dois contrários. Nós não queremos que essa seja a realidade do estado, porque Santa Catarina tem uma riqueza inigualável e nós já fomos explorados demais”, conta da Luz.

Entenda as técnicas

O xisto é uma das principais rochas metamórficas de origem sedimentar – sendo “folhelho” o termo mais exato para essas rochas oleíferas, resultantes da decomposição de matérias minerais e orgânicas no fundo de lagos ou mares interiores. Considerando que existem dois tipos de xisto, o betuminoso e o pirobetuminoso, são aplicadas duas técnicas para sua extração. 

Uma delas é conhecida no Brasil como Petrosix, hoje aplicada em São Mateus do Sul (PR), que consiste em aquecer o xisto betuminoso à elevadas temperaturas, assim liberando um óleo semelhante ao petróleo, junto a resíduos que contém altos níveis de carbono e enxofre. Seus principais impactos socioambientais incluem problemas respiratórios, carcinogênicos, contaminação das águas, do ar e do solo, desapropriação de terras, desertificação, perda da biodiversidade, além do agravamento do aquecimento global. 

Já o fracking, ou fraturamento hidráulico, é uma tecnologia utilizada para a extração do folhelho pirobetuminoso – consistindo na perfuração profunda do solo para inserir uma tubulação por onde é injetada, sob alta pressão, entre 7 a 30 milhões de litros de água, areia e mais de 700 produtos químicos tóxicos e com potencial cancerígeno – podendo até ser radioativos – para fraturar a rocha e liberar então o gás de xisto. 

A técnica, assim como o Petrosix, também causa inúmeros riscos para a vida, entre eles a contaminação da água potável não só na superfície quanto nas fontes subterrâneas, a esterilização do solo, tornando-o infértil para a agricultura, contaminando produções e inviabilizando a pecuária e o turismo – fatores que afetam drasticamente a geração de emprego e renda; graves e irreversíveis danos à saúde, como problemas respiratórios, cardíacos, neurológicos, câncer, má formação congênita, esterilidade em mulheres, aumento da mortalidade infantil e perinatal, entre outros.

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CONTATO: Paulinne Giffhorn, coordenadora de comunicação do Instituto Internacional Arayara e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida – [email protected] / +55 41 99823-1660