2009 – 2019

A 350 comemora

uma década de ações

Dez anos depois do primeiro dia global de ações da 350.org, vamos celebrar nossas vitórias, refletir sobre as lições que aprendemos e analisar as batalhas que temos pela frente.

 

Quando começamos a nos mobilizar em 2009, entendíamos a crise climática como a questão mais importante a ser enfrentada pela humanidade – mas as ações climáticas ficavam atoladas na política institucional, praticamente paralisadas.

Não tínhamos uma resposta objetiva sobre como solucionar o que estava acontecendo, mas sabíamos o que faltava: um movimento climático proporcional à escala da crise. Dez anos depois, vemos pessoas das mais variadas trajetórias engajadas e dispostas a agir para resolver esse imenso problema. E estamos crescendo a cada dia.

Para construir um mundo justo, igualitário e livre de combustíveis fósseis, precisamos de você ao nosso lado. Confira a nossa linha do tempo para conhecer a trajetória que já percorremos e o movimento que você ajudou a construir.

Linha do tempo

Origens

A 350.org foi criada por um grupo de amigos universitários dos Estados Unidos em parceria com o escritor Bill McKibben, autor de um dos primeiros livros sobre as mudanças climáticas voltados a um público não especializado.

A visão deles foi transformada em um movimento cada vez mais global e diversificado, fazendo ecoar as vozes das mais variadas comunidades em todo o mundo.

2009

Primeiro dia global de ações

Antes da COP15, em Copenhague, mobilizamos pessoas de 181 países em torno de uma mensagem aos líderes globais: precisamos de um acordo justo, ambicioso e obrigatório para manter uma concentração segura de dióxido de carbono na atmosfera – menor do que 350 partes por milhão. A CNN classificou esse momento como “o dia de ação política mais disseminado na história do nosso planeta”.

Infelizmente nosso primeiro dia internacional de ações não resultou em nenhum acordo compulsório, mas juntos plantamos sementes dessa luta e elevamos o poder das pessoas a um novo patamar.

2010

“Um novo tipo de movimento”

Era hora de botar a mão na massa. No dia 10/10/10 a 350.org realizou a Festa Global de Trabalho, em que pessoas de todo o mundo suaram a camiseta em benefício do clima.

Sharjah, Emirados Árabes Unidos. Foto: Ahmad Al Reyami

 

Nos reunimos para construir jardins comunitários, instalar painéis solares, plantar árvores – e mostramos aos líderes políticos que eles também precisavam trabalhar.

Essa mobilização também apontou um novo tipo de mobilização, para além de um único dia de ações: um movimento que seguiria responsabilizando os políticos pela crise climática.

2011

Resistência ao oleoduto Keystone XL

Foto: Josh Lopez

 

Lideramos um esforço ambicioso para interromper a construção do Keystone XL – um dos oleodutos mais perigosos da América do Norte.

Dez mil manifestantes se reuniram diante da Casa Branca, em Washington, somando-se à resistência mundial contra às infraestruturas de combustíveis fósseis.

Também introduzimos “treinamentos para treinadores” para acelerar e ampliar a escala do movimento, capacitando milhares de pessoas a serem lideranças climáticas em suas comunidades.

2012

Começa o movimento de desinvestimento

Foto: 350.org

 

A turnê Do the Math [Faça as contas], de Bill McKibben e Naomi Klein, mostrou ao mundo que a indústria dos combustíveis fósseis já estoca uma quantidade de carvão e gás que, se utilizada, estouraria em cinco vezes nosso orçamento de carbono.

O filme oriundo da turnê mobilizou grupos em universidades da América do Norte a exigir que as instituições retirassem seus investimentos relacionados aos combustíveis fósseis. Vale destacar que a iniciativa de desinvestimento Zero Fósseis bebe da fonte de tradições ativistas anteriores, especialmente do movimento antiapartheid da África do Sul.

2013

O treinamento global ganha peso

Um total de 471 jovens ativistas de 135 países foram capacitados por 89 facilitadores na iniciativa Global Power Shift [Mudança Global de Poder], em Istambul, na Turquia – e isso foi apenas o começo. Os ativistas recém-treinados voltaram às suas casas para provocar mudanças de poder em seus países, da Índia a Vanuatu, da Ucrânia à Tailândia.

Solidariedade no despertar do tufão Haiyan: Foto: 350 East Asia

 

O tufão Haiyan devastou as Filipinas. Nos mobilizamos para oferecer solidariedade, captação de recursos e conforto, lançando luz ao fato injusto de que as mudanças climáticas afetam mais aqueles que menos fizeram para provocá-las.

2014

400 mil pessoas nas ruas de Nova York

The A Marcha dos Povos pelo Clima, realizada em Nova York, no dia 21 de setembro, teve uma adesão impressionante: 400 mil manifestantes tomaram as ruas e 2 mil ações ocorreram em todo o mundo.


O desinvestimento em combustíveis fósseis ganhou escala, com novas campanhas realizadas na Europa, na Austrália e na Nova Zelândia.

No primeiro ano do movimento Zero Fósseis como campanha global, 181 instituições e cidades e mais de 700 pessoas se comprometeram a desinvestir mais de 50 bilhões de dólares em ativos.

Foto: Divest London

 

2015

Acordo de Paris e outras conquistas

Apesar do estado de emergência declarado pelo governo da França, 10 mil pessoas foram às ruas da capital francesa para defender o Acordo de Paris, apoiadas por outras 775 mil pessoas mobilizadas em todo o mundo. Ao todo, 195 signatários se comprometeram a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa – mas de forma tímida, se temos em vista a meta de manter o aquecimento médio global abaixo de 1,5˚C.

O presidente norte-americano Barack Obama finalmente rejeitou o projeto do Keystone XL como forma de resistência a outros combustíveis fósseis e métodos de extração consolidados em todo o mundo.

No Brasil, 51 cidades baniram o fracking – e a maior marcha antifracking até hoje foi realizada em Oakland, Califórnia, nos Estados Unidos.

Na Alemanha, ativistas ocuparam uma enorme mina de lignito, na primeira rodada de ações do movimento Ende Gelande [expressão popular que significa “basta”, em alemão]. A comunidade de Palawan, nas Filipinas, venceu a batalha contra a proposta de uma mina de carvão, levando à proibição desse tipo de extração de combustíveis fósseis no país.

2016

Liberte-se dos combustíveis fósseis

Para manter a pressão nas lideranças globais, uma semana de ações teve como alvo projetos relacionados à extração de carvão, petróleo e gás, reunindo 30 mil pessoas em 20 países. “Mantenha os combustíveis embaixo do solo” tornou-se um lema global nas manifestações.

Lançamos a campanha #ExxonKnew [A Exxon sabia] após revelações de que a empresa, ligada aos combustíveis fósseis, tinha conhecimento das mudanças climáticas desde os anos 1960, mas não fez nada a respeito para mudar sua atuação.

Foto: Eman Mohammed

O site de treinamentos da 350 compartilhou as habilidades e ferramentas necessárias para que os organizadores comunitários pudessem lutar contra a poderosa indústria dos combustíveis fósseis.

2017

Mais oleodutos, gasodutos e minas de carvão paralisados

Celebramos com nossos parceiros das Primeiras Nações quando o gasoduto Energy East foi cancelado no Canadá, resultando em uma quantidade diária de 1,1 milhão de barris de areias betuminosas mantida embaixo do solo.

Resistência Kayaktivist às areias betuminosas do Canadá. Foto: Matthieu Breton

Na região de Aliaga, na Turquia, a resistência popular forçou o fim de dois projetos de minas de carvão.

A segunda Marcha dos Povos pelo Clima pressionou o presidente norte-americano Donald Trump e políticos negacionistas recém-eleitos em todo o planeta. Uma manifestação com 200 mil pessoas ocupou as ruas de Washington, Estados Unidos.

O desinvestimento alcançou 6 trilhões de dólares e, podemos dizer, se tornou um assunto popular. A cidade de Nova York comprometeu-se a desinvestir seu fundo de pensões de 190 bilhões de dólares e processou cinco das maiores empresas de combustíveis fósseis por danos climáticos provocados por tempestades como o furacão Sandy.

2018

Relatório do IPCC sobre a meta de 1,5˚C

No Canadá, uma mobilização liderada por grupos indígenas forçou a Corte Federal de Apelações a revogar a autorização do governo à extensão do gasoduto Trans Mountain, da empresa Kinder Morgan. A Nova Zelândia proibiu autorizações à exploração de novos blocos de petróleo e gás na costa do país.

Durante a mobilização do dia global de ações Una-se pelo Clima, 250 mil pessoas protestaram em todo o mundo.

Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU – (IPCC fez soar o alarme sobre a necessidade de interromper imediatamente a exploração de combustíveis fósseis.

Lançamos o Dossiê das Pessoas pelo Clima para “ligar os pontos” entre o aumento da temperatura e os impactos climáticos sofridos pelas comunidades. Mais de 300 grupos fizeram cópias do relatório do IPCC e entregaram o documento a governantes locais.

O movimento Zero Fósseis celebrou um marco importante: mais de mil instituições desinvestiram mais de 8 trilhões de dólares em ativos relacionados aos combustíveis fósseis.

 

2019

Mobilização Global pelo Clima

A usina de carvão Lamu, no Quênia, foi paralisada. No Brasil, os estados do Paraná e de Santa Catarina aprovaram proibições do fracking que manterão para sempre no solo reservas de gás de xisto maiores que a formação Marcellus, localizada na América do Norte. Em todo o país, 410 cidades adotaram medidas semelhantes.

Mobilização climática em Jacarta, Indonésia. Foto: Gilang Kharism

 

Em resposta à convocação dos jovens do movimento Fridays for Future [Sextas-feiras pelo futuro], um número recorde de 7,6 milhões de pessoas saiu às ruas exigindo ações imediatas, como parte da Mobilização Global pelo Clima – o maior protesto climático da história.

Em uma coalização com outras organizações, a 350.org reuniu ativistas, empresários e cidadãos de todo o mundo para agirmos de forma diferente em relação ao clima.

Mais de 6 mil ações foram realizadas em 185 países; 73 entidades de classe representando milhões de trabalhadores apoiaram as greves e protestos, e milhares de empresas, organizações e sites aderiram à mobilização.

O movimento de desinvestimento informou uma quantia de mais de 11 trilhões de dólares em ativos que foram desinvestidos.

Os próximos 10 anos

Neste documentário de 11 minutos, os fundadores da 350.org e ativistas da organização refletem sobre o caminho já percorrido e o percurso que ainda temos pela frente (somente em inglês):