Entre os dias 1 e 3 de dezembro foi realizada a etapa local da 6ª Conferência de Saúde Indígena (CNSI), no Distrito Sanitário Especial Indígena do Litoral Sul, em Curitiba (PR). O evento encerra as atividades que estão sendo desenvolvidas desde setembro pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi Litoral Sul), com apoio da 350.org Brasil, da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS) e do Instituto Internacional Arayara; tendo passado pela extensão litorânea dos cincos estados atendidos pelo Conselho, sendo eles Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

6ª CNSI

Luiz Afonso Rosário, consultor de povos e comunidades tradicionais da 350.org Brasil, apresentou os impactos do fracking aos participantes

Na ocasião, além de discutirem a implementação e aprimoramento de programas sociais para a população indígena, representantes de aldeias do litoral paranaense entraram em contato com os principais efeitos do fracking – técnica de fraturamento hidráulico que utiliza água misturada com substâncias tóxicas para realizar a extração não-convencional do gás de xisto. “O fracking tem tudo a ver com saúde – visto que contamina nossas águas, nossos aquíferos”, afirmou o consultor de povos e comunidades tradicionais da 350.org Brasil, Luiz Afonso Rosário, durante sua explanação.

Durante o evento, Rosário também ministrou uma palestra para auxiliar os representantes a desenvolver coletivamente um “Protocolo de Consulta”, para que governos e demais instituições saibam como consultar os povos indígenas em seus territórios. “A gente tem que ter em mente o nosso direito de ser Guarani, de ser Kaingang. Isso está dentro do que nós vivemos, do que somos como povo e precisamos nos proteger”, acrescentou o líder indígena, Kretã Kaingang, após a apresentação.

6ª CNSI

Na ocasião, foi iniciada a construção coletiva do Protocolo de Consulta

CNSI em números

No total, 15 municípios foram visitados, possibilitando o diálogo sobre os riscos climáticos junto aos territórios indígenas, os modelos de exploração de hidrocarbonetos (combustíveis fósseis) próximos às comunidades indígenas e florestas, os efeitos e ameaças do fracking, além de opções para se obter energia limpa, sustentável e renovável. Ao todo, as visitas contemplaram mais de 2.5 mil indígenas, que receberam um certificado de participação, além de poderem levar informações significativas para o restante da população.

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Paulinne Rhinow Giffhorn — jornalista da Fundação Internacional Arayara e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS).

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