De frente para o futuro, de costas para os fósseis

O ano de 2016 foi o mais quente da história. Os efeitos do aquecimento da temperatura global têm sido cada vez mais sentidos e estão mais visíveis a olhos nus. No Brasil, a população vivenciou extremos: de secas severas e ondas de calor intenso a enchentes, tempestades, alagamentos e chuvas de granizo. Verões fora de época e invernos atípicos. Está cada vez mais difícil negar a existência das mudanças climáticas e sua relação intrínseca com as atividades humanas.

Os impactos das alterações no clima são diretamente proporcionais à quantidade de gases poluentes enviada à atmosfera. E é por esse motivo que se faz cada vez mais urgente a necessidade de transição de uma economia totalmente dependente de combustíveis fósseis para uma de baixo carbono. Livre, limpa, justa e acessível para todos.

Só com a força e pressão da sociedade é que a indústria fóssil, principal emissora de gases causadores do efeito estufa, conseguirá ser freada. Investir em combustíveis fósseis significa perpetuar a crise climática global. Desinvestir também é sinônimo de justiça social. E, portanto, temos o dever moral de fazê-lo. Enquanto as grandes empresas lucram com a queima de carvão, petróleo e gás, quem mais sofre os impactos das mudanças climáticas que elas desencadeiam são as pessoas mais vulneráveis em todo o mundo. Mas elas só vão parar se forem tocadas em seu ponto mais sensível: o bolso.

Encabeçada pela 350.org global, a campanha internacional pela retirada de investimentos em fósseis já ganhou adeptos nos quatro cantos do planeta. Mais de 58 mil indivíduos e 688 instituições em 76 países já aderiram ao desinvestimento. Mais de U$ 5 trilhões foram redirecionados para financiamentos de projetos com outras fontes de energia renovável.

Nesse momento em que os eventos climáticos aumentam em frequência e intensidade, clamamos urgentemente por lideranças que tomem a dianteira na luta climática. No Brasil, é principalmente da fé que esse exemplo tem surgido. Inspirada pela mensagem do papa Francisco, que em sua Encíclica Laudato Si convoca todos os fiéis a cuidar da “Casa Comum”, a Diocese do Divino Espírito Santo de Umuarama, no Paraná, que agrega 45 paróquias e cerca de 490 mil habitantes em todo o Brasil, tornou-se a primeira Diocese e a primeira instituição da América Latina a se desfazer dos combustíveis fósseis.

“Não podemos nos acomodar e continuar permitindo que interesses econômicos busquem lucros exorbitantes antes do bem-estar das pessoas, destruam a biodiversidade e os ecossistemas, e continuem ditando nosso modelo energético baseado em combustíveis fósseis, quando temos tantas outras possibilidades para energias limpas e renováveis”, defende Dom Frei João Mamede Filho, Bispo da Diocese de Umuarama.

A Diocese também será palco, nos dias 6 e 7 de maio, da Grande Vigília Climática pela Criação. A atividade faz parte da série de ações da semana de Mobilização Global pelo Desinvestimento, que acontece de 5 a 13 de maio em todo o mundo. Mais de 60 eventos já foram registrados em 5 continentes. E a cada dia, novas ações aparecem no mapa.

mapa GDM

Encontre um evento da Mobilização Global pelo Desinvestimento perto de você ou organize você mesmo uma ação. Participe e peça à sua universidade, igreja, banco ou outra instituição para mirar no futuro, virando definitivamente as costas para os fósseis.

 

Parem novos projetos com combustíveis fósseis!

Para atingir as metas do Acordo de Paris e salvar o planeta da devastação climática é necessário deter imediatamente novos projetos de desenvolvimento que utilizem carvão, petróleo e gás.
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