Em resposta à divulgação do novo plano climático nacional do Brasil, a 350.org saudou os avanços no combate ao desmatamento, mas alertou que o plano não atende à urgência de eliminar os combustíveis fósseis e enfrentar a crescente crise de combustíveis no país.
O novo plano, a primeira atualização desde 2008, estabelece o caminho do Brasil para reduzir as emissões em até 67% até 2035 e alcançar a neutralidade climática até 2050, mantendo o foco no fim do desmatamento — um dos principais motores das emissões na Amazônia. No entanto, organizações da sociedade civil afirmam que o plano carece da ambição necessária para promover uma transição rápida para longe do petróleo, gás e carvão, especialmente considerando que o Brasil permanece entre os maiores emissores globais.
João Cerqueira, Diretor da 350.org no Brasil, afirmou:
“O atual aumento no preço do diesel deixa isso evidente: os combustíveis fósseis são instáveis e pouco confiáveis. Quando surgem crises — como uma guerra sobre a qual não temos controle — são as pessoas comuns que pagam o preço, enquanto grandes corporações lucram às nossas custas. Isso mostra que focar apenas no uso da terra não é suficiente. O Brasil precisa se comprometer com a eliminação total dos combustíveis fósseis, o quanto antes.
O renovado foco do Brasil em acabar com o desmatamento é fundamental e bem-vindo. Mas a transição para longe dos combustíveis fósseis e o pleno aproveitamento do enorme potencial de energia renovável do país são essenciais para reduzir custos, diminuir desigualdades e construir um sistema energético resiliente. Os governos reunidos esta semana precisam ir além de compromissos genéricos e apresentar roteiros claros, com prazos definidos, para encerrar a produção e o uso de combustíveis fósseis.”
O plano brasileiro tem sido elogiado por seu escopo mais amplo e pela inclusão de medidas de adaptação, mas grupos da sociedade civil destacam a ausência de ações concretas capazes de impulsionar a transformação econômica estrutural necessária para cumprir as metas climáticas globais.
“A ausência de um roteiro claro para a eliminação dos combustíveis fósseis ocorre justamente quando o sistema energético brasileiro já enfrenta pressões. Com preços de eletricidade em torno de R$130/MWh e famílias de baixa renda comprometendo até 18% de sua renda com energia, a necessidade de uma transição justa e acelerada nunca foi tão evidente. No entanto, quando se trata de combustíveis fósseis, o Plano Clima do Brasil não responde a esse desafio — pelo contrário, reforça contradições existentes.
A ciência é clara: não há caminho para 1,5°C sem uma eliminação rápida e justa do petróleo, gás e carvão. Países como o Brasil têm um papel crucial a desempenhar — e isso significa alinhar seus planos climáticos a uma transição completa para longe dos combustíveis fósseis.” — João Cerqueira
O anúncio ocorre antes da primeira conferência global sobre a eliminação dos combustíveis fósseis, que acontecerá de 24 a 29 de abril de 2026, organizada pelos governos da Colômbia e dos Países Baixos, onde cresce a pressão para que as principais economias apresentem cronogramas claros para encerrar a produção de combustíveis fósseis.
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