Contaminação com metais pesados, poluição atmosférica e diversos problemas socioambientais: essa pode ser uma realidade próxima para a população do Rio Grande do Sul, caso a maior mina de carvão a céu aberto do Brasil seja instalada na região. O projeto está previsto para ser implementado entre os municípios Charqueadas e Eldorado do Sul, a apenas 535 metros do Parque Estadual Delta do Jacuí e a 240 metros de uma área de preservação ambiental.

O empreendimento, desenvolvido pela Copelmi Mineração, é um complexo de mais de 4 mil hectares – área equivalente a 6.124 campos de futebol. De acordo com informações divulgadas pela deputada estadual do Rio Grande do Sul, Luciana Genro (PSOL), a mina de carvão poderá operar por 23 anos, “produzindo uma quantidade assustadora de resíduos na beira do rio Jacuí, que é responsável por 84,6% do volume de água do nosso Guaíba”. Além disso, ela afirma que o projeto vai desalojar 282 pessoas, entre elas moradores do loteamento Guaíba City e de um assentamento que é o segundo maior produtor de arroz orgânico do País.

“Essa mina de carvão é, sem dúvidas, trará um alto impacto ambiental para a região. Sua implementação vai afetar a água, a vegetação e também as habitações de seu entorno”, afirma o mestre em sustentabilidade e organizador de campanhas da 350.org Brasil, Ilan Zugman. Os principais municípios sul-rio-grandenses a serem atingidos pelos impactos do projeto são Porto Alegre, Canoas, Eldorado do Sul, Charqueadas e Nova Santa Rita.

Conheça a região possivelmente atingida

Virada Sustentável

Para abordar os principais impactos e risco do empreendimento da Copelmi para a região e falar sobre os obstáculos causados pelas mudanças climáticas, será realizada a oficina “Zero Fósseis: Como proteger nosso planeta com o ativismo ambiental”, durante a 4ª edição da Virada Sustentável Porto Alegre, no próximo domingo (7), entre as 11h e 12h, na Praça Júlio Mesquita, em Porto Alegre (RS).

Na ocasião, Zugman também mostrará formas para atuar na solução da crise climática, apontando a importância do ativismo ambiental. “A indústria do carvão nos faz pensar que precisamos desse combustível sujo para atender à crescente demanda por energia e gerar empregos. Isso é simplesmente falso! A única forma de evitar severos impactos socioambientais e à nossa saúde é dar um salto para 100% de energia renovável o mais rápido possível e construir um futuro zero fósseis”, conta Zugman.

Além da oficina Zero Fósseis, a Virada Sustentável Porto Alegre vai reunir mais de 170 atrações e atividades gratuitas abertas ao público geral, abordando temas que vão desde a redução das desigualdades sociais, consumo consciente, saúde, bem estar até mudanças climáticas. Confira a programação completa no site do evento.

OFICINA ZERO FÓSSEIS | COMO PROTEGER NOSSO PLANETA COM ATIVISMO AMBIENTAL

Data: 07/04/2019

Local: Praça Júlio Mesquita  – Rua General Salustiano, s/n – Porto Alegre (RS)

Horário: 11h às 12h

Paulinne Rhinow Giffhorn — jornalista da Fundação Internacional Arayara e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS).

Email: [email protected]

Telefones: (41)99823-1660 ou (41) 3240-1160 (comunicação)