Em ação pacífica, ativistas demandam transição energética, durante corrida de rua promovida pela Rio Oil & Gas, evento de negócios que promove a exploração de fósseis
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Rio de Janeiro, 20 de setembro - A Energy Run, corrida de rua que aconteceu neste domingo (20), na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, se apresenta como uma celebração de energia e bem-estar e faz parte de um dos principais eventos da indústria de petróleo e gás no Brasil, o Rio Oil & Gas, o ROG.e. Mas não existe bem-estar em um mundo cada vez mais afetado por ondas de calor, secas, enchentes, incêndios e outros eventos climáticos extremos.
Para denunciar o papel dessa verdadeira Corrida para o Fim do Mundo, promovida pela indústria de óleo, gás e carvão, ativistas levaram para as ruas os fantasmas do passado fóssil que nos trouxeram até a crise climática que vivemos, para alertar sobre a urgência de repensar nosso futuro energético. No dia 20/09, um ativista vestido de dinossauro fóssil foi às ruas durante a ROG Energy Run para chamar atenção para o contraste entre o discurso de bem-estar promovido pela indústria de energia e seus investimentos contínuos em petróleo e gás. A ação questionou: enquanto a indústria celebra saúde, energia e qualidade de vida, por que continua apostando na expansão dos combustíveis fósseis, que agravam a crise climática?
“Enquanto a indústria de petróleo e gás corre para expandir a exploração de combustíveis fósseis, o planeta corre para enfrentar uma crise climática cada vez mais grave. A transição energética exige acelerar a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, eficiência energética e outras soluções de baixo carbono, ao mesmo tempo em que se protegem territórios e comunidades”, afirma Carolina Marçal, do ClimaInfo.
O evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), é o maior do tipo no Brasil e reúne empresas e especialistas do setor de petróleo e gás, com representantes de grandes empresas, para promover a exploração de fósseis. Há alguns anos, o evento adicionou ao nome o “e”, de energia. Mas a indústria de petróleo e gás não pode usar a ideia de “energia” para esconder que diferentes fontes têm impactos diferentes sobre o clima, os territórios e as pessoas. Energia não é uma categoria neutra: as escolhas sobre como produzir e consumir energia determinam também quem assume os custos e quem recebe os benefícios.
"É no mínimo irônico que o IBP promova uma corrida vendendo saúde e bem-estar para abrir a maior feira de petróleo do planeta. Não existe saúde possível enquanto a indústria fóssil segue expandindo a exploração que está no centro da crise climática. O petróleo, o gás e o carvão são os principais responsáveis pelo aquecimento global e cada nova frente de exploração aprofunda as enchentes, as secas e as ondas de calor que já matam brasileiros. Por isso estivemos na Lagoa: não há tempo para mais petróleo." João Cerqueira, da 350 Brasil
Um relatório publicado recentemente pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), projeta que o aquecimento global deve ultrapassar 1,5°C ainda nesta década. No cenário mais otimista (cumprimento das metas nacionais e net-zero), chegará a 1,8°C; já nos cenários menos favoráveis, pode superar o limite máximo de 2°C do Acordo de Paris.
Por isso, é urgente que aceleramos em direção ao abandono gradual dos combustíveis fósseis, ao invés de correr diretamente para o fim do mundo como conhecemos.
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