Imprensa

Setembro 20, 2026

Fósseis participam da Energy Run, corrida de rua da ROG.e

Livia Lie

Ativistas de diversas organizações manifestam preocupação pelo Cerrado
Ativista vestido de dinossauro participa de ação em corrida financiada por petroleiras

Em ação pacífica, ativistas demandam transição energética, durante corrida de rua promovida pela Rio Oil & Gas, evento de negócios que promove a exploração de fósseis

VEJA FOTOS: Corrida Fóssil

Rio de Janeiro, 20 de setembro - A Energy Run, corrida de rua que aconteceu neste domingo (20), na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, se apresenta como uma celebração de energia e bem-estar e faz parte de um dos principais eventos da indústria de petróleo e gás no Brasil, o Rio Oil & Gas, o ROG.e. Mas não existe bem-estar em um mundo cada vez mais afetado por ondas de calor, secas, enchentes, incêndios e outros eventos climáticos extremos.

Para denunciar o papel dessa verdadeira Corrida para o Fim do Mundo, promovida pela indústria de óleo, gás e carvão, ativistas levaram para as ruas os fantasmas do passado fóssil que nos trouxeram até a crise climática que vivemos, para alertar sobre a urgência de repensar nosso futuro energético. No dia 20/09, um ativista vestido de dinossauro fóssil foi às ruas durante a ROG Energy Run para chamar atenção para o contraste entre o discurso de bem-estar promovido pela indústria de energia e seus investimentos contínuos em petróleo e gás. A ação questionou: enquanto a indústria celebra saúde, energia e qualidade de vida, por que continua apostando na expansão dos combustíveis fósseis, que agravam a crise climática?

“Enquanto a indústria de petróleo e gás corre para expandir a exploração de combustíveis fósseis, o planeta corre para enfrentar uma crise climática cada vez mais grave. A transição energética exige acelerar a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, eficiência energética e outras soluções de baixo carbono, ao mesmo tempo em que se protegem territórios e comunidades”, afirma Carolina Marçal, do ClimaInfo.

O evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), é o maior do tipo no Brasil e reúne empresas e especialistas do setor de petróleo e gás, com representantes de grandes empresas, para promover a exploração de fósseis. Há alguns anos, o evento adicionou ao nome o “e”, de energia. Mas a indústria de petróleo e gás não pode usar a ideia de “energia” para esconder que diferentes fontes têm impactos diferentes sobre o clima, os territórios e as pessoas. Energia não é uma categoria neutra: as escolhas sobre como produzir e consumir energia determinam também quem assume os custos e quem recebe os benefícios.

"É no mínimo irônico que o IBP promova uma corrida vendendo saúde e bem-estar para abrir a maior feira de petróleo do planeta. Não existe saúde possível enquanto a indústria fóssil segue expandindo a exploração que está no centro da crise climática. O petróleo, o gás e o carvão são os principais responsáveis pelo aquecimento global e cada nova frente de exploração aprofunda as enchentes, as secas e as ondas de calor que já matam brasileiros. Por isso estivemos na Lagoa: não há tempo para mais petróleo." João Cerqueira, da 350 Brasil

Um relatório publicado recentemente pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA), projeta que o aquecimento global deve ultrapassar 1,5°C ainda nesta década. No cenário mais otimista (cumprimento das metas nacionais e net-zero), chegará a 1,8°C; já nos cenários menos favoráveis, pode superar o limite máximo de 2°C do Acordo de Paris.

Por isso, é urgente que aceleramos em direção ao abandono gradual dos combustíveis fósseis, ao invés de correr diretamente para o fim do mundo como conhecemos.

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