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Maio 3, 2023

A 350 está com seus aliados de movimento e não vai dar para trás

O site de jornalismo investigativo The Intercept divulgou recentemente que a 350.org foi alvo de uma empresa de segurança privada durante a Standing Rock, campanha de resistência ao oleoduto Dakota Access, em 2016. O oleoduto, que vai dos campos de petróleo Bakken, no oeste do estado americano de Dakota do Norte, até o sul do estado americano de Illinois, passa perto da Reserva Indígena de Standing Rock.

Tigerswan foi a empresa de segurança privada contratada pela Energy Transfer, matriz do oleoduto Dakota Access. A resistência liderada pela tribo Standing Rock Sioux foi apoiada por uma coalizão de organizações de direitos humanos e meio ambiente. Nela, os defensores indígenas se uniram sob o título “Protetores da Água”.

Large crowd of protesters marching in winter conditions at Standing Rock, carrying flags and signs, demonstrating against the Dakota Access Pipeline in snowy terrain.
Print da reportagem em que o site The Intercept revela conteúdos da investigação conduzida pela empresa de segurança privada Tigerswan

A resistência foi apoiada por um grupo diversificado de aliados, que tinham em comum o objetivo de defender a terra e a água, consideradas sagradas. Não se restringiu a tentar parar o oleoduto Dakota Access, mas também se contrapor a décadas de exploração e extração colonial.

O site The Intercept teve acesso a documentos em que a empresa de segurança privada compartilha com sua cliente comentários sobre o trabalho da 350.org. Veja só o que eles “descobriram” sobre nós:

“A habilidade da 350.org em atrair a atenção para o protesto do oleoduto Dakota Access por meio de sua rede de apoiadores e seus alertas midiáticos é uma preocupação significativa para a Tigerswan e seu cliente. É improvável que a organização deixe de lado os grupos de manifestantes, porque seus objetivos se alinham perfeitamente com os da tribo Standing Rock Sioux. A 350.org tem um histórico de sucesso e só deve ser abordada após uma preparação significativa”.

Na verdade, trata-se de um documento bem elogioso, né?

Não deixa de ser irônico que, ao tentar enfraquecer nosso trabalho, o setor petroleiro tenha, no fim das contas, dado um testemunho a nossa favor.

“Precisamos sempre deixar muito claro que a indústria sabe o risco que o movimento climático representa”, disse May Boeve, diretora-executiva da 350.org em resposta.

Solidariedade e justiça

A vigilância e a intimidação de ativistas ambientais são uma tendência preocupante há alguns anos. Ativistas ao redor de todo o mundo, principalmente os que estão em países nos quais os espaços democráticos para oposição são cada vez mais restritos, como Filipinas e partes da África e da América Latina, precisam de proteção.

A oposição à destruição de meios de subsistência, à violação dos direitos humanos, à poluição da água, ao roubo de terras, aos dutos que expelem carbono, às usinas de carvão, à mineração e aos locais de fracking é um trabalho crucial. Além dos ativistas na linha de frente, jornalistas, comunidades, organizações e demais ativistas que os apoiam constituem um componente inestimável da luta humana pela vida, pela dignidade e pela justiça.

Foto: Landau
No Rio de Janeiro, em 2021, pescadores da Baía de Guanabara protestam contra leilões de petróleo e gás promovidos pelo governo brasileiro: defensores ambientais precisam ter seus direitos respeitados. Foto: Landau / 350.org

Enquanto lutamos por um mundo habitável, a indústria de combustíveis fósseis, seus aliados dentro do governo e seus lobistas têm bilhões de dólares à disposição para tentar abafar nossa luta a fim de favorecer seus próprios lucros a curto prazo e outros interesses pessoais. Mas eles não vão nos deter. Seguiremos prestando solidariedade a protetores, comunidades e defensores em todo o mundo e lutando por um futuro melhor.

Defensores do meio ambiente que correm maior risco de sofrer abusos por parte de autoridades e antagonistas privados incluem mulheres, agricultores e povos indígenas. Nossa tolerância a abusos de poder e injustiça é zero: é responsabilidade dos defensores do meio ambiente defender também os direitos daqueles ao lado de quem lutam.

Estamos em uma conjuntura temporal crucial para preservar um mundo habitável abaixo de 1,5 °C. Temos que agir agora! Precisamos pressionar governos, instituições financeiras e organismos internacionais para implementarem uma transição justa para um mundo movido a energia renovável. Com soluções à mão e solidariedade, estamos mais perto do que nunca de tornar real esse mundo irresistível, que está a nosso alcance.