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9 Novembro, 2022

Como os combustíveis fósseis estão por trás da inflação e da recessão

Golden oil pump jack figurine on scattered US dollar bills with black oil puddle, symbolizing petroleum industry wealth and profits from crude oil extraction and energy resources.

Sabemos que a indústria de combustíveis fósseis está por trás dos impactos climáticos que destroem nosso planeta. Das seca aos ciclones tropicais, o sistema que se beneficia da queima de hidrocarbonetos é responsável pelos piores impactos do aquecimento global. Mas os combustíveis fósseis afetam a vida das pessoas de muitas maneiras, e esta é mais uma delas: os combustíveis fósseis impulsionam a inflação.

Para deixar claro e tirar isto do caminho, há inflação quando os preços dos bens e dos serviços adquiridos pelas famílias sobem sistematicamente durante um período de tempo. Em geral, a inflação é medida num país anualmente, mas também pode ser tomada mensal ou trimestralmente.

Combustíveis fósseis impulsionam inflação

Embora a inflação seja a medida dos preços pagos pelas famílias, isso não significa que os preços dos insumos industriais não contem; quando eles sobem, os preços dos produtos finais costumam subir também. Então, por exemplo, se o preço do ferro subir, o mesmo acontece com o aço, os materiais de construção e a habitação. Numa economia globalizada, a inflação é uma reação em cadeia.

Nessa cadeia, há algo que impulsiona a inflação mais do que o resto: os preços do petróleo e do gás. Isso acontece porque nossas economias dependem dos combustíveis fósseis em diversas áreas: mobilidade, produção de energia, agricultura e produção de mercadorias. Quando os preços do petróleo e do gás sobem, todos os demais preços tendem a se elevar. Na verdade, a alta dos combustíveis fósseis está historicamente associada à inflação e às crises econômicas. Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s, agência de classificação de risco de crédito, disse, em uma entrevista à Vox, que “todas as recessões após a Segunda Guerra Mundial foram precedidas por um salto nos preços do petróleo”.

Por exemplo, logo antes da crise fiscal de 2008, o preço do barril de petróleo subiu para 160 dólares, quase o dobro dos preços praticados em 2007 e da média de preços registrados nos quatro anos subsequentes. O mesmo aconteceu entre 1999 e 2000. Nos anos 1990, logo depois que os preços do petróleo dispararam, subindo 135%, os Estados Unidos registraram outra recessão. A lista não termina aqui..

Desvincular nós mesmos e nossas economias da indústria de combustíveis fósseis protegeria tanto o planeta quanto nossos bolsos.

Muitos e diversos fatores impulsionam os preços dos combustíveis fósseis. Na maior parte do tempo, a origem disso está nos países produtores, que aumentam ou diminuem a produção, inundando ou secando o mercado. Frequentemente usa-se isso como ferramenta política, levando ao desespero de milhões de pessoas.

Mas, ainda que os países produtores que deem o disparo inicial, eles não são totalmente responsáveis pela inflação. No fim das contas, são as indústrias de combustíveis fósseis que fixam os preços – fazem isso para ter margens obcenas de lucro, às custas do sofrimento das pessoas, permitindo que uma crise humana planetária se desenrole.

Climate march in urban setting with protesters holding signs reading "Protect Mother Earth" and "Seward Community Solutions". Participants carry banners including one labeled "ROOTS" as they rally for environmental justice.
SÃO FRANCISCO, CALIFÓRNIA– Em 8 de setembro de 2018, milhares de pessoas se reuniram em São Francisco para a marcha Una-se pelo Clima, pelos Empregos e pela Justiça poucos dias antes da Cúpula Global de Ação Climática, reivindicando o fim progressivo da extração de combustíveis fósseis e uma transição justa para uma economia baseada em energia 100% livre e renovável. Foto: Brooke Anderson | Survival Media Agency

Rompendo o ciclo

Há uma saída: afastar-se dos combustíveis fósseis.

É verdade que haverá dificuldades: precisamos fazer isso rápido e precisamos fazer isso de forma justa. Pode ser que vejamos os preços de alguns produtos, como os metais, se elevarem com o aumento da demanda, mas nada se aproxima, nem remotamente, do impacto gerado pela subida dos preços dos combustíveis fósseis. E certamente veremos pessoas tentando deter ou inviabilizar uma transição justa. É por isso que precisamos construir novos sistemas energéticos que coloquem as pessoas e o planeta acima do lucro e que não reproduzam as práticas injustas e perigosas da economia atual, centrada em combustíveis fósseis.

Criando sistemas baseados em energia limpa, mais descentralizados, liderados por comunidades e centrados nas pessoas, temos certeza de que ninguém poderá controlar a “inflação” para usá-la em benefício próprio. Temos certeza de que teremos comunidades prósperas e resilientes que não precisem enfrentar crises humanitárias para satisfazer a ganância da indústria de combustíveis fósseis.

A era dos combustíveis fósseis está ficando para trás. Libertando-nos do carvão, do petróleo e do gás e substituindo-os por fontes de energia livre e renovável, protegemos tanto nosso planeta quanto nossa economia.