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Janeiro 25, 2018

O que os recentes vendavais e inundações em Santa Catarina nos revelam sobre as mudanças climáticas

Storm-damaged street with debris scattered across the road. Colorful buildings line both sides, power lines hang overhead, and several vehicles are parked among the wreckage under an overcast sky.
Storm-damaged street with debris scattered across the road. Colorful buildings line both sides, power lines hang overhead, and several vehicles are parked among the wreckage under an overcast sky.
Centro de São Francisco do Sul. Foto – Defesa Civil/SC

Os alertas da Defesa Civil tem sido constantes em várias regiões do Brasil: temporais, vendavais, risco de deslizamentos. E o sul do Brasil sofreu nas últimas semanas as consequências do caos climático.  A chuva com ventos fortes deixou rastros de destruição em vários municípios de Santa Catarina: alagamentos, vendavais, temporais e queda de árvores. Muitas cidades ficaram sem energia.

Segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, os ventos atingiram a velocidade de 89km/h em Chapecó, 81 km/h em Água Doce, 79 km/h em Caibi, e 45 km/h na capital, Florianópolis. No litoral Norte, em São Francisco do Sul, o vendaval assustou moradores e causou estragos especialmente no centro da cidade. Houve quedas de árvores sobre casas, via pública e rede elétrica. Cerca de cinco mil consumidores ficaram sem energia elétrica e 60 edificações tiveram destelhamentos. Parte da BR 280 também  ficou interditada devido as árvores na pista. No oeste do estado, houve registro de destelhamentos em Chapecó e Marema.  Na Grande Florianópolis, São José, Palhoça e Balneário Camboriú a chuva causou inúmeros alagamentos.

A badly damaged and collapsed wooden structure sits on an overgrown grassy lot, surrounded by tropical trees and palm vegetation, showing severe deterioration and destruction.
Casa destruída por vendaval em Marema. Foto – Defesa Civil/SC

Os alertas continuam para fortes temporais em diversas áreas e nos chama atenção no momento em que a Organização das Nações Unidas (ONU) vem reforçando a relação entre ao aumento global das temperaturas e os desastres climáticos. Especialistas em clima da NASA anunciaram recentemente que o ano de 2017 foi o segundo mais quente da história, mesmo sem os efeitos do fenômeno El Niño.
O anúncio reforça a tendência de que o planeta está sentindo os efeitos das mudanças do clima e é necessário agir urgentemente para que os resultados não sejam ainda piores e irreversíveis. A agência meteorológica da ONU também  alertou que a pressão contínua sobre o Ártico em 2017 terá “repercussões profundas e duradouras no nível do mar e nos padrões climáticos em outras partes do mundo”, intensificando os eventos climáticos extremos.

É urgente portanto que atuação frente ao aquecimento global e às mudanças climáticas seja intensiva. “É preciso que se quebrem discursos vazios que nos distanciam das causas, como se nada pudéssemos fazer para conter essas mudanças. É urgente que se reduza a emissão de gases de efeito estufa, com o combate severo e o desinvestimento em projetos de combustíveis fósseis, o combate ao desmatamento e uma mudança geral de padrões de comportamento e consumo”, alerta Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina

“A tendência de temperatura em longo prazo é muito mais importante do que o ranking de anos individuais, e essa tendência é ascendente”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), um organismo técnico vinculado à ONU.  “As temperaturas contam apenas uma pequena parte da história. O calor em 2017 foi acompanhado pelo clima extremo em muitos países pelo mundo”, acrescentou Taalas. Segundo ele, os Estados Unidos tiveram seu ano mais difícil em termos de clima e desastres climáticos, enquanto outros países viram seu desenvolvimento desacelerado ou revertido por ciclones tropicais, inundações e secas.