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Novembro 27, 2017

What Design Can Do: inspirações para seguir em frente

Large diverse group photo in front of Artel building with colorful geometric facade. Many wearing yellow shirts, raising fists in celebration. Mix of casual and business attire, outdoor daytime setting.

Por Caroline Kwasnicki

São tempos difíceis. O planeta não para de nos alertar sobre os impactos que causamos. Secas extremas, inundações, furacões e ondas de calor estão acontecendo em vários lugares do mundo. As mudanças climáticas não escolhem o seu alvo e todos podem ser impactados. Mas sem dúvidas, algumas comunidades são mais sensíveis a essas catástrofes. Por isso, não podemos olhar apenas para o nosso umbigo e acreditar que os problemas estão distantes de nós. Precisamos pensar juntos e unir nossas habilidades para encontrar soluções que priorizem um futuro mais sustentável e justo, para nós e para o nosso – único – lar.

Um exemplo inspirador que prova que é possível, sim, unir áreas de conhecimento distintas por uma causa comum, foi o What Design Can Do, evento realizado na última semana em São Paulo. Foram dois dias de debates sobre as causas e consequências das mudanças climáticas, e sobre o poder do design e da arquitetura em promover soluções. Foram apresentados também projetos reais que têm tudo a ver com a ideia de que unindo forças e compartilhando ideias, podemos chegar mais longe.

Juliana Proserpio, designer, empreendedora e cofundadora da Echos, abriu o primeiro dia de palestras e falou sobre como podemos projetar futuros desejáveis. Para ela, é preciso pular da apatia para ação, unindo alguns elementos que nos ajudam a ter a visão do futuro que queremos. Ainda segundo Juliana, não basta olhar só para o passado: precisamos entender qual a nossa intenção, conhecer e aproveitar as tecnologias emergentes e entender a necessidade social. Compreender essa conexão é dar um passo à frente na busca por um mundo mais sustentável.

O painel de debates com o tema “Is media still our ally?” (A mídia continua sendo nossa aliada?) contou com a presença de Naresh Ramchandani, cofundador da ONG ambiental Do The Green Thing, Nicole Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, e Elizabeth Mckeon, chefe de estratégia da IKEA Foundation. Nicole abordou exemplos de eventos climáticos e como nossas escolhas impactam o mundo todo. Explicou como funciona o seu trabalho na 350.org e como o ativismo climático é importante na luta contra os combustíveis fósseis e contra os retrocessos do governo, que insiste em estimular essa que é a indústria mais poluente do mundo. “Nós não precisamos de combustíveis fósseis. Nós temos energia limpa suficiente”, afirma. Você pode (re)ver a live que fizemos em nossa página durante o debate!

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Guto Requena e Pete Hellicar foram outros destaques do primeiro dia de evento. Guto é arquiteto e designer, e abordou em sua palestra o tema da requalificação dos espaços públicos e como é importante estimularmos o coletivo a fazer parte da cidade. Para ele, as tecnologias podem salvar o planeta, mas elas precisam ser humanas e falar de amor também. Para Pete Hellicar, skatista, designer e músico, “a Terra não liga”. Quem precisa ser salvo são os humanos! O principal passo é entender nossos impactos e como podemos mudar e contribuir para impedir o avanço do caos climático.

Já no segundo dia, Babete Porcelijn, designer e autora do livro “The Hidden Impact”, falou sobre os impactos escondidos em nosso estilo de vida. A revelação de que o maior impacto de nossos hábitos diários no meio ambiente é causado por todas as coisas que compramos foi uma surpresa. Babete apresenta também maneiras de sermos uma sociedade mais eco-positiva e fala de seus próprios hábitos de consumo e como ela procura diminuir seus impactos. “Minha vida é melhor que antes. Sou mais saudável, economizo mais dinheiro, cresço junto com a família e faço um trabalho que eu acredito que faz a diferença”, comenta.

A speaker presents on stage with an iceberg diagram titled "HOW MUCH IS HIDDEN?" displayed on large screens, illustrating visible and hidden portions using CO2 and skull symbols in different colored sections.

Ana Toni, diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), Guto Requena e Inka Pieter, chefe do Departamento de Responsabilidade Social e Estratégicas Sustentáveis da KLM, participaram do painel de debates “Community is key” (Comunidade é a chave). Ana Toni comentou sobre a importância de entendermos o que é o local e o que é o global, mas também que é necessário perceber que todos os lugares são absolutamente importantes. “Todos os grupos são importantes para agir. Temos múltiplas identidades”, comentou durante sua apresentação.

Naresh encerrou o dia apresentando o Do The Green Thing e propôs uma reflexão aos designers e comunicadores: o que podemos fazer para passar mensagens com consciência? Como usar a criatividade para enfrentar as mudanças climáticas?

A presenter on stage discusses colorful emoji signs displayed on a large screen. Each sign shows different emojis including skulls, food items, transportation symbols, and smiley faces on purple, red, yellow, and orange backgrounds.

Representatividade feminina do WDCD

Como você deve ter percebido, não podemos ignorar a presença feminina consolidada – e de respeito! – que fez parte da programação do What Design Can Do. Além de concentrar esforços nas causas ambientais, o WDCD abraça a causa feminina. Para Bebel Abreu, responsável pelo evento no Brasil, ter essa representatividade feminina ajuda a mostrar que somos iguais, “homens e mulheres, feminino e masculino”.

Nicole Oliveira também comemorou a representatividade no WDCD, o que considera uma vitória na luta pela equidade. “É gratificante participar de um evento que abraça e engloba a causa feminina. Foi uma honra debater ao lado de outras mulheres tão competentes e profissionais em suas respectivas áreas. Foi uma experiência muito marcante”, comentou Nicole.

A desigualdade de gênero é a origem de muitas formas de discriminação, abuso, violência e exploração. O assunto também foi muito bem representado no palco através da música. Dani Buarque, DJ da edição, Ekena, Luiza Lian e Karina Burh, mostraram seus trabalhos autorais sobre a luta contra o machismo e a desigualdade de gênero.

Climate Action Challenge

Além de mitigar os efeitos e projetar soluções que contribuam para a redução das emissões de carbono, para combater o aquecimento global é preciso também nos adaptarmos à realidade dos inevitáveis impactos das mudanças climáticas. E aqui o design e a arquitetura podem ter papéis fundamentais. Resiliência no planejamento urbano, produção de alimentos inteligente, preocupação com a saúde e a distribuição de água, e a produção de energia sem o uso de combustíveis fósseis são alguns tópicos que não podem faltar nesse debate.

Esses foram, inclusive, os objetivos do Climate Action Challenge 2017: uma competição de design de alcance global, que convida a comunidade criativa – entre estudantes, profissionais e startups – a inscrever projetos e soluções que combatam os impactos das mudanças climáticas. O desafio recebeu 384 inscrições de 70 países. Entre eles, um comitê de seleção nomeou 35 projetos. Logo depois, um júri internacional de especialistas em design, empreendedores sociais e de ciências do clima, avaliou as propostas e os ganhadores foram anunciados no palco do WDCD São Paulo, no dia 23 de novembro. Conheça abaixo alguns dos projetos vencedores – para ver a lista completa visite o site do WDCD:

Dronecoria: já imaginou milhares de pessoas podendo plantar milhares de árvores? Esse é um projeto de reflorestamento automático, que usa drones para dispersar sementes em bolas de argila expandida.

The Children’s Scrappy News Service: é um serviço de notícias improvisado, feito por crianças para crianças, que procura resolver os problemas do mundo, dando um passo de cada vez.

Desolenator: tecnologia de dessalinização patenteada que usa apenas a luz solar para purificar a água, transformando qualquer fonte em água 100% potável. O objetivo da empresa é tornar 1 milhão de habitantes independentes nos seus primeiros 5 anos de operações.

Free Wind: as ondas de calor devem ocorrer com cada vez mais frequência e intensidade no futuro. O Free Wind visa aliviar a situação ao menor custo possível. Ele utiliza a compressão do ar para produzir ar mais frio, canalizado pela casa em um ciclo constante.