Meus olhos encheram de lágrima ontem quando meu filho de 3 anos perguntou quando poderíamos ir na casa da vovó. Estamos há 20 dias em isolamento social. Vivo em São Paulo, a cidade com maior número de casos e mortes. 

Me questiono quanto tempo isso vai durar e quando eu, como mãe, vou sentir-me segura para deixá-lo na escola e depois passar o final de semana com os avós e primos. Será que voltaremos a viver a vida que conhecíamos antes?

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Não pude deixar de voltar meus pensamentos para as histórias de pessoas que conheci por conta do meu trabalho. Estou há cerca de dois anos trabalhando para a 350.org América Latina e parte do meu trabalho é ouvir histórias de comunidades e povos que sofrem com repressão e/ou têm seu modo de viver drásticamente impactados pela indústrias fóssl e por mudanças climáticas. Há muito mais tempo que eu, essas pessoas saem de casa com medo. Lembro das pessoas que já perderam tudo em enchentes, penso nas pessoas que vivem sob a ameaça da industria da mineração sob o risco do rompimento de uma barragem, e das pessoas que vivem sob ameaça de terem suas aldeias e territórios incendiados. 

Questiono se esse tempo em casa na quarentena não serve para nós pensarmos sobre as nossas atitudes e as consequências de nosso crescimento desgorvernado. Já ouvi comparações justas que diziam que o vírus do planeta Terra é o ser humano. Se apropriando da natureza, usando-a e destruindo-a para benefício próprio. E então, da mesma forma que um corpo humano doente, o planeta nos deu um remédio e nos enclausurou para que finalmente parássemos de destruir.

Quantas vezes mais o planeta terá que nos dar remédios como esse no futuro? Quantas vezes mais terei que negar um passeio no parque ao meu filho? Quantas vezes meus netos terão que sofrer de um evento similar? 

Espero de verdade que esse tempo sirva para que todos nós possamos repensar no mundo que vivemos e que estamos construindo. E que ao fim dessa quarentena, continuemos a preservar o que realmente importa: A família, nossos recursos naturais, o respeito ao modo de vida do outro, o consumo de produtos locais, e a vida do próximo.   

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Livia Lie – comunicóloga, coordenadora de Campanhas Digitais da 350.org Brasil e América Latina, gerente de campanhas digitais do Instituto Internacional Arayara e e Voluntária da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima Água e Vida.