21 de novembro, Belém, PA – Em resposta à segunda versão dos textos preliminares divulgada na manhã de hoje, a 350.org alerta que os documentos ainda carecem da ambição necessária para fechar as lacunas de clima e financiamento, mesmo em um momento em que o impulso global por um roteiro de eliminação dos combustíveis fósseis ganha força rapidamente.

“Os rascunhos das decisões da COP30 divulgados esta manhã ficam muito aquém do salto necessário para fechar a lacuna de ambição climática. O principal problema é que eles não apresentam um plano claro e forte para acabar com os combustíveis fósseis. A criação de um mecanismo de Transição Justa é uma conquista importante, com potencial real para melhorar a implementação na prática, de forma justa, mas sem um plano para deixar o petróleo, o gás e o carvão para trás, continuamos alimentando o fogo desse incêndio. Na parte de financiamento (especialmente com o enfraquecimento do compromisso de triplicar o apoio à adaptação) os textos não oferecem o apoio essencial que as comunidades já afetadas pela crise climática precisam urgentemente. Não dá para alcançar justiça sem o dinheiro necessário”, afirmou Andreas Sieber, diretor associado de políticas e campanhas da 350.org.

“Estamos num ponto em que as nossas ilhas simplesmente não têm margem para mais atrasos. O Mecanismo de Transição Justa é, sim, uma conquista importante, mas o fato de o texto preliminar divulgado esta manhã nem sequer mencionar um plano para superar os combustíveis fósseis acaba ofuscando esse avanço aqui em Belém. A COP30 precisa enfrentar de frente a causa da crise climática e garantir os recursos necessários para que possamos nos adaptar. Vivemos na fronteira entre a sobrevivência e a catástrofe, e, nestas horas decisivas, espero poder voltar para nossas comunidades com algum sinal de que o mundo considera nossos lares valiosos e dignos de proteção”, disse Fenton Lutunatabua, coordenador da equipe do Pacífico da 350.org.

A falta de clareza sobre combustíveis fósseis persiste apesar de mais de 80 países apoiarem publicamente o Mapa do Caminho para o fim dos Combustíveis Fósseis. Ainda assim, a seção de mitigação do rascunho não menciona combustíveis fósseis, apostando em iniciativas voluntárias frágeis e planos vagos, bem como não vinculantes para reduzir petróleo, gás e carvão.

Sobre financiamento, o texto segue muito distante do pacote centrado em justiça que o mundo precisa entregar:

  • O chamado para triplicar o financiamento de adaptação foi diluído  e continua sem qualquer clareza sobre quem deve cumprir essa meta.
  • A nova meta coletiva quantificada (NCQG) segue sem um plano concreto de implementação.
  • Não há avanços reais sobre novas fontes inovadoras de financiamento, nem sobre como garantir acesso direto para Povos Indígenas, tampouco sobre definir uma base de contribuintes justa.
  • A referência ao fim dos subsídios aos combustíveis fósseis simplesmente desapareceu do texto.

O lançamento do Mecanismo de Transição Justa é um passo significativo e bem-vindo, mas sem um plano de eliminação dos combustíveis fósseis e sem financiamento real, o mundo continuará adicionando lenha ao fogo.

A 350.org clama aos países negociadores a seguirem o forte momento global e a entregarem um resultado final da COP30 que seja justo, equitativo e plenamente alinhado com a ciência e com a justiça climática. Um acordo robusto para esta COP precisa, necessariamente, unir três pilares: financiamento justo, adaptação real e um chamado claro para um mapa que visa o fim dos combustíveis fósseis. Sem esses três elementos, o pacto simplesmente não se sustenta.

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