*Com informações do Governo Canadense

Boas notícias para o mundo. O Canadá, que já faz parte de um crescente número de países que estão se comprometendo a eliminar os projetos a carvão e incentivar as energias renováveis, anunciou os próximos passos que vão contribuir para uma transição energética justa.

O governo canadense está empenhado em adotar abordagens econômicas justas e flexíveis, que possam ajudar os trabalhadores e empresas a terem mais oportunidades no ramo das energias limpas. A eliminação gradual do carvão poderá gerar impactos aos trabalhadores e às comunidades que dependem financeiramente desse segmento. Para tentar reverter esse cenário, foi anunciada uma força tarefa (just transition task force, em inglês) para incentivar uma mudança mais justa, que minimize os impactos na transição para uma economia com baixas emissões de carbono.

Essa abordagem político-econômica inclui o envolvimento das comunidades em decisões que afetariam seus meios de subsistência, além do apoio para identificar oportunidades econômicas que possam ajudar os trabalhadores a terem sucesso e a se beneficiarem com a transição.

A força tarefa contará com o apoio de especialistas em desenvolvimento sustentável, em força de trabalho e do setor de energia, além de representantes de associações trabalhistas, sindicatos e municípios. De março até o final de 2018, serão ouvidos os trabalhadores e as comunidades afetadas pela eliminação do carvão, além do governo.

Em dezembro de 2017, o Canadá e o Banco Mundial anunciaram uma parceria para trabalhar em conjunto na aceleração da transição energética nos países em desenvolvimento e, juntamente com a Confederação dos Sindicatos Internacionais, fornecer análises para apoiar os esforços para uma justa transição para longe do carvão.

As descobertas do projeto serão uma contribuição importante do Canadá para o movimento internacional que apoia a transição para energias limpas e livres. São recomendações que podem melhorar a forma de apoiar os trabalhadores e as comunidades que dependem do carvão, além de incentivar uma transição bem sucedida, com a eliminação progressiva dessa fonte de energia a nível global.

Para Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, é necessário alcançar a justiça climática, assim como é importante empoderar as comunidades locais. “Os países precisam, sim, investir em fontes de energia renováveis e sustentáveis, mas que também sejam descentralizadas e geradas localmente. Modelos de energia com baixo impacto social e ambiental são mais eficientes e deixam o conhecimento e a tecnologia com a comunidade. É o que chamamos de energia livre”, explica Nicole.

Moradias em Edmonton, Canadá. Foto: Roberta Franchuk, Pembina Institute

As propostas de emendas aos regulamentos dos projetos de carvão e gás natural são a outra boa notícia do Canadá. As alterações propostas às regulamentações assegurariam que todas as unidades a carvão atinjam um padrão de desempenho rigoroso até 31 de dezembro de 2029. Essa abordagem acelera a eliminação das unidades tradicionais movidas a carvão até 2030.

O governo estima que 14 das unidades de geração elétrica a carvão do Canadá em 9 usinas de energia atualmente em operação serão afetadas pelas emendas propostas para acelerar a eliminação da energia tradicional do carvão. Espera-se que a maioria das usinas a carvão feche no final da vida ou antes, ou em 2029, em vez de cumprir o padrão de desempenho.

As alterações propostas podem resultar em reduções significativas nas emissões de gases de efeito estufa. Durante o período de tempo avaliado (de 2019 a 2055), a nova regulamentação pode gerar uma redução cumulativa das emissões de dióxido de carbono de aproximadamente 100 milhões de toneladas.

Os canadenses também serão beneficiados com a melhoria da qualidade do ar e com a redução da exposição a poluentes nocivos presentes no ar, diretamente ligados a problemas de saúde, como asma e doença cardíaca.

Para Catherine McKenna, ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Canadá, a eliminação do carvão é uma boa notícia para o nosso clima, nossa saúde e para a população. “Estou entusiasmada em dar os próximos passos para eliminar o carvão do Canadá. Nós sabemos que o meio ambiente e a economia andam de mãos dadas, por isso estamos empenhados em realizar a transição energética justa para toda a população”, afirmou a ministra.

Binnu Jeyakumar, diretora do programa de eletricidade do Instituto Pembina, também comemorou os próximos passos do governo canadense. “A energia gerada em usinas a carvão é a mais suja que podemos produzir, com enormes impactos à saúde humana e ao clima. Além disso, as usinas estão se tornando um dos meios mais caros de se produzir energia, quando comparamos com as energias renováveis”, explicou a diretora.

Para mais informações sobre as novas regulamentações, acesse o site do governo canadense.

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