Em apenas nove dias, o apoio a um plano de eliminação dos combustíveis fósseis cresceu de 1 para 62 países, tanto desenvolvidos quanto em desenvolvimento, mostra análise da 350.org.
17 de novembro de 2025 – Belém, Brasil – À medida que a COP30 entra em sua segunda semana, o apoio global a um Plano de Transição para o Fim dos Combustíveis Fósseis (TAFF, na sigla em inglês) está ganhando força em ritmo impressionante. Uma nova análise da 350.org e parceiros mostra como o que começou como um único chamado à ação se transformou rapidamente em uma mobilização poderosa para colocar a eliminação dos combustíveis fósseis no centro do emergente “Pacto Mutirão”. Na noite de ontem (16/11), foi divulgado o texto de consulta da Presidência da COP30, destacando os principais pontos de impasse: fechar a lacuna de ambição criada por metas climáticas insuficientes (as NDCs) e garantir financiamento.
“O mundo precisa de uma resposta crível para o enorme buraco na ambição climática. Transformar a promessa da COP28 em ação real não é opcional. Precisamos de ação urgente para reduzir as temperaturas globais ao necessário para um planeta habitável”, disse Savio Carvalho, Diretor Executivo de Campanhas e Redes da 350.org.
A mudança global já está em curso: a energia renovável está crescendo mais rápido do que qualquer outra fonte, segundo a Agência Internacional de Energia.
“Uma transição para o fim dos combustíveis fósseis não é novidade para o Pacífico, é uma demanda que apresentamos em todas as COPs e em todos os espaços onde estivemos. O crescimento do apoio a um plano para essa transição é um sinal claro de que a era dos combustíveis fósseis acabou. Precisamos garantir que qualquer plano para um futuro livre de fósseis seja construído a partir das necessidades das comunidades e das pessoas na linha de frente, bem como implementado de forma a não deixar essas comunidades vulneráveis para trás” , afirmou Suluafi Brianna Fruean, Anciã do Conselho Regional do Pacífico, 350.org
Análise da 350.org: Como o apoio ao Plano de Transição para o Fim dos Combustíveis Fósseis ganhou força
A nova análise da 350.org mostra como o apoio a um plano global para a eliminação dos combustíveis fósseis cresceu rapidamente nos dias que antecederam a segunda semana da COP30, com base em declarações públicas ou contribuições escritas à Presidência:
Em apenas nove dias, o apoio cresceu de 1 para 62 países, uma onda que demonstra a prontidão global para superar a era dos combustíveis fósseis.
“O presidente Lula deu um impulso real à ideia de um plano global para abandonar os combustíveis fósseis. Vimos 62 países se unindo à proposta em apenas uma semana. E, de forma crucial, esse resultado pode surgir diretamente das consultas da presidência, formalizado em uma decisão-guarda-chuva ou equivalente. Os contornos de um resultado ambicioso para a COP30 já estão visíveis: um pacote crível de financiamento climático e um plano claro para fechar a lacuna de descarbonização, com a eliminação dos combustíveis fósseis no centro. O verdadeiro teste é saber se o Brasil vai usar esses dois pilares — financiamento e resposta à lacuna de ambição — para conduzir a COP30 a um desfecho forte, ou permitir que o processo se acomode no menor denominador comum”, segundo Andreas Sieber, Diretor Associado de Política e Campanhas, 350.org
Um Plano Conduzido pelas Partes, Baseado em Equidade e Ação Real
“Os povos indígenas e tradicionais estão deixando tudo muito claro: eliminar os combustíveis fósseis não é apenas uma necessidade climática, é uma questão de sobrevivência. São esses povos que protegem as florestas, os rios, os oceanos e a biodiversidade que mantêm o planeta vivo – e ainda assim são os mais ameaçados pela expansão da exploração e da mineração. Qualquer plano sério precisa não só se comprometer com a eliminação dos combustíveis fósseis, mas também garantir financiamento direto e acessível para as comunidades que protegem esses territórios há gerações. Sem centralizar seus direitos, sua liderança e suas soluções, a transição global continuará incompleta – e injusta.”
— Ilan Zugman, Diretor Regional para América Latina e Caribe, 350.org
O Plano TAFF precisa ser construído de baixo para cima, destacando políticas concretas, mudanças regulatórias e planos de transição já em curso no mundo. Ele ampliaria o trabalho de alianças climáticas ambiciosas e ajudaria a organizar a ação global com base na ciência, na equidade e nas metas do Acordo de Paris.
Mas a 350.org reforça que nenhum plano é crível sem apoio real. Financiamento, transferência de tecnologia e capacitação precisam ser pilares centrais – não detalhes periféricos – para garantir que a transição ajude as comunidades, em vez de aprofundar desigualdades. Justiça deve ser o ponto de partida, não um adendo.
A 350.org pede que todos os governos aproveitem esse momento e entreguem um plano à altura da crise climática: com justiça.
Notas para editores:
Países e grupos de países demonstraram seu apoio ao Plano de Transição para o Fim dos Combustíveis Fósseis em declarações públicas ou contribuições escritas:
6 de nov — 1 país
Começou com o chamado do presidente Lula na abertura da Cúpula dos Líderes.
11 de nov — 8 países
Novos apoiadores: países do EIG (Geórgia, Liechtenstein, México, Mônaco, República da Coreia, Suíça) e Colômbia.
13 de nov — 20 países
Novos apoiadores: Ilhas Marshall, Alemanha, Reino Unido, França, Dinamarca, Quênia e AILAC (Chile, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru).
14 de nov — 59 países
Novos apoiadores: AOSIS (39 países).
15 de nov — 62 países
Novos apoiadores: Suécia, Portugal, Mongólia.
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