5 junho, 2026

Mais uma vitória judicial na luta contra a exploração de gás fóssil na Amazônia

Impacto do Campo Azulão - Eneva em Silves e Itapiranga

Foto Divulgação

 

Em 25 de maio de 2026, a Juíza Federal da 7ª Vara do Amazonas proferiu decisão saneadora na Ação Civil Pública movida pela ASPAC e pela APIRA contra a exploração de gás no Complexo do Azulão, da Eneva S.A., nos municípios de Silves e Itapiranga.

A decisão é mais um passo numa disputa judicial que se arrasta desde 2023, quando ASPAC e comunidades indígenas de Silves, com apoio da rede Resistência Amazônica, protocolaram a ação pedindo o cancelamento das licenças ambientais e a transferência do licenciamento do IPAAM para o IBAMA. O processo documenta um histórico extenso de irregularidades: a Eneva operou no Campo de Azulão sem seguir o devido processo de licenciamento ambiental, afetando a fauna da região, o modo de vida das comunidades e criando insegurança sobre impactos para a saúde pública, além de registros que indicam risco de impacto sobre povos indígenas em isolamento voluntário. 

Em maio de 2025, a Justiça Federal já havia determinado a suspensão das atividades de extração no campo Azulão, sobreposto ao território indígena Gavião Real, e proibido o IPAAM de emitir novas licenças enquanto não fossem cumpridas condições fundamentais,  entre elas a realização da Consulta Livre, Prévia e Informada prevista na Convenção 169 da OIT e a elaboração do Estudo de Componente Indígena pela FUNAI.

O quadro se agravou em 2026. Análise da InfoAmazonia revelou que três sítios arqueológicos pré-coloniais com mais de 3 mil anos — Passarinho, São Tomé Açu e Outeiro — estão sobrepostos ao bloco de exploração AM-T-85, em Silves, e que o IPHAN não emitiu parecer favorável à licença por não ter recebido as informações solicitadas à empresa. Ainda assim, o IPAAM renovou a autorização. No mesmo período, um laudo de perícia criminal constatou o assoreamento do igarapé Maricota, em Itapiranga, com risco de bloqueio total do curso d’água e impactos diretos sobre pesca, abastecimento e saúde das comunidades locais.

Com a conclusão dessa fase de instrução processual, aguarda-se agora o julgamento de mérito pela Justiça Federal nos próximos meses. A ASPAC, a APIRA, a 350.org e a Resistência Amazônica reafirmam que seguirão na luta por uma Amazônia livre de petróleo e gás, e agradecem a todos os parceiros que tornaram possível chegar até aqui.

 

***

INFORMAÇÕES:
Email: [email protected]