Estamos cientes do incidente ocorrido na terça-feira, 11 de novembro, quando um grupo de manifestantes entrou na Zona Azul da COP30. Membros da equipe da 350.org não estiveram envolvidos, e não dispomos de informações sobre as motivações da ação.
A 350.org sempre defendeu a importância do protesto pacífico e dos movimentos populares. A presença ativa da sociedade civil, ocupando espaços e fazendo suas vozes serem ouvidas, é o que realmente impulsiona mudanças — e isso é ainda mais verdadeiro aqui na COP30, a COP da verdade e das pessoas, realizada no coração da Amazônia.
Neste momento, nosso foco deve permanecer no que realmente importa: os resultados desta COP. Se a COP30 quer ser lembrada como a “COP da verdade”, ela precisa entregar avanços concretos em relação à justiça climática.
Isso significa apresentar um mapa claro para uma transição energética rápida, justa e financiada, incluindo o fim dos combustíveis fósseis, e com os países ricos assumindo a liderança conforme sua responsabilidade histórica e honrando sua dívida climática com financiamento público (não privado). Significa também assumir o compromisso de triplicar a capacidade de geração de energia renovável de forma justa e equitativa, garantindo que todas as pessoas tenham acesso à energia limpa, barata e controlada pelas comunidades — e não somente a fontes de energia dominadas por interesses corporativos ou movidas pelo lucro.
Significa ainda assegurar que os povos indígenas e as comunidades tradicionais tenham participação real nas decisões. Suas vozes, conhecimentos e demandas precisam ser ouvidos e refletidos nos resultados da COP30. Sem sua participação plena, esta não poderá ser, de fato, uma COP das pessoas.
Por fim — e não menos importante — não existe justiça climática sem a liderança indígena e tradicional. Os povos indígenas têm sido, há séculos, os verdadeiros guardiões do planeta. A campanha “A Resposta Somos Nós” nos lembra que as soluções reais para a crise climática não virão de governos capturados pelos interesses da indústria fóssil, mas das comunidades que defendem a vida há gerações.