7 Dezembro, 2018

Representantes da sociedade civil são impedidos de entrar na Polônia

Ativistas de diferentes organizações e cidadanias, que pretendiam participar das negociações climáticas da COP 24, foram deportados para seus respectivos países

Katowice, Polônia – Foi com profunda preocupação que a Climate Action Network (CAN) e seus parceiros descobriram que as autoridades polonesas negaram a entrada e deportaram pelo menos 12 membros de grupos da sociedade civil que pretendiam participar das negociações da 24a Rodada da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 24, que acontece na cidade de Katowice, de 02 a 14 de dezembro de 2018.

As deportações acontecem como consequência da promulgação pelo governo polonês, no início do ano passado, de uma legislação aprovada exatamente para restringir a participação dos ativistas na COP 24. Vários especialistas em direitos humanos das Nações Unidas questionaram publicamente a compatibilidade da lei com os padrões internacionais de direitos humanos.

O fato de estes não serem casos isolados é extremamente preocupante. Nós vemos as ações das autoridades fronteiriças polonesas como muito sérias”, disse Stephan Singer, diretor-executivo interino da Climate Action Network (CAN). A CAN é uma rede composta por mais de 1.300 organizações, entre elas a 350.org, que trabalham em mais de 120 países. A rede reúne a maior parcela de organizações não-governamentais ambientalistas no âmbito da convenção climática da ONU.

A participação plena e efetiva da sociedade civil está enraizada na Convenção e, de fato, é imperativa em nossos esforços para uma transição urgente para um novo regime climático”, defendeu Singer.

Várias organizações da sociedade civil registraram forte objeção aos incidentes ocorridos desde o início da conferência.

Condenamos veementemente a deportação de colegas que não foram autorizados a entrar na Polônia para participar da COP 24. Pelo que entendemos, as razões para recusar a entrada são justificadas por alegações de que eles são uma ‘ameaça à segurança nacional’. Mas esses funcionários e voluntários são pessoas comprometidas com o combate à crise climática que o mundo enfrenta por meio de campanhas por soluções mais sustentáveis”, afirmou May Boeve, diretora-executiva da 350.org.

Todos nós da 350.org e parceiros acreditamos que a maior ameaça que enfrentamos à nossa segurança nacional e internacional é o não enfrentamento da crise climática e a demora em tomar medidas urgentes e necessárias para interromper o uso de combustíveis fósseis nas matrizes energéticas mundiais. Isso é ressaltado no recente Relatório Especial do IPCC sobre o Aquecimento Global.”

As vozes daqueles que foram impedidos de entrar na COP 24 são essenciais para o desenrolar das negociações sobre o clima e é inaceitável que a sua presença seja impedida desta forma. Restrições contínuas à sociedade civil não deterão um movimento climático resiliente como o nosso”, concluiu Boeve.

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A declaração é apoiada por:

350.org
Greenpeace
CAN Europe
CAN EECCA
Protect the Planet
Demand Climate Justice
SustainUS
Thanks Grassroots Global Justice Alliance
The Indigenous Environmental Network
Climate Justice Alliance
Attac
The Just Transition Alliance
Oil Change International
11.11.11
Ukrainian Climate Network
Carre Geo & Environnement
Green Network
INFORSE

 

MAIS CITAÇÕES

Bohdan Pękacki, diretor do Greenpeace Polônia:
Ao receber a cúpula climática mais importante desde Paris, a Polônia tem os olhos do mundo e a questão é: que tipo de anfitrião a Polônia quer ser? Será que vai abraçar as demandas das pessoas que exigem ação e permitir que suas vozes sejam ouvidas, ou silenciá-las por meio da entrada negada?”

Ann-Kathrin Schneider, membro da Friends of the Earth Alemanha:
Estamos trabalhando em conjunto com grupos da sociedade civil de todo o mundo em Katowice para responsabilizar nossos líderes e exigir uma resposta à crise climática. Estamos extremamente preocupados com a decisão das autoridades polonesas de negar a entrada de indivíduos do nosso grupo de parceiros no país. Exigimos que todos que quiserem participar da conferência sobre o clima tenham permissão para entrar no país, honrando seu direito de participar de ações pacíficas da sociedade civil.”

Iryna Stavchuk, diretora executiva do Centro de Iniciativas Ambientais Ecoaction (Ucrânia):
“A participação de representantes de organizações da sociedade civil em negociações sobre o clima é crucial, pois elas atuam como uma alavanca importante na tomada de decisões. Tudo isso é para garantir que a realização do objetivo do Acordo de Paris de manter o aquecimento global no nível de 1,5°C a 2°C se torne realidade. Consideramos inaceitáveis ​​as ações das autoridades polonesas que negam a entrada de ativistas pacíficos.”

Wendel Trio, diretor da Climate Action Network Europa:
“É chocante e uma vergonha que um de nossos colaboradores que co-organizou com sucesso uma marcha de 65 mil pessoas em Bruxelas na semana passada tenha sido impedido de entrar na Polônia. As pessoas estão exigindo ação climática de nossos governos e devem ser apoiadas por isso. O governo polonês tem medo de encarar a verdade: que também eles precisam agir.”

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CONTATOS:

François Rogers, Diretor de Comunicação da CAN International, [email protected], +44 (0) 7 585 707 220

Kim Bryan, Coordenadora de Comunicação Global da 350.org, [email protected], +44 7 770 881 503