15 novembro, 2025

Um Funeral Histórico dos Combustíveis Fósseis Marca a Virada na COP30

Belém do Pará, 15 de novembro de 2025

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Hoje, durante a COP30 em Belém do Pará, Brasil, mais de 50.000 pessoas participaram do Funeral dos Combustíveis Fósseis, uma intervenção artística e política sem precedentes que ressoou profundamente nas negociações globais do clima. A ação reuniu povos originários de toda a América Latina, ativistas do mundo inteiro e mais de 100 organizações, sendo reconhecida como um dos marcos centrais da conferência.

A performance — com caixões gigantes representando carvão, petróleo e gás, sóis e aerogeradores, mais de 80 jaguares performáticos, uma serpente de 30 metros e mais de 100 artistas — simbolizou o início do fim da era fóssil. O evento foi promovido pela Aliança Potência Energética, em parceria com a Cúpula dos Povos, a direção artística do Auto do Círio e a Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará.

Esta intervenção épica orientou a narrativa da fase final das negociações da COP30 e reforçou o chamado global para encerrar as explorações de petróleo na Amazônia e retirar progressivamente os combustíveis fósseis do cenário mundial. A mensagem foi inequívoca: o Sul Global está liderando.

Vozes do Sul Global ecoam em Belém

Ilan Zugman, diretor da 350.org na América Latina e Caribe, lembrou:
“Hoje marchamos enterrando simbolicamente os combustíveis fósseis porque eles são a raiz da crise que ameaça nossas vidas. A humanidade já conhece o caminho: energia limpa, justiça climática e respeito aos povos que protegem a vida. Falta coragem política para romper de vez com o petróleo, o gás e o carvão.”
Ele acrescentou:
“Sabemos que a maioria no Sul Global já quer esse futuro. As comunidades impactadas precisam estar nas mesas de negociação — e os países ricos e petrostados devem parar de bloquear o caminho.”

João Talocchi, Co-fundador da Aliança Potência Energética LatAm, destacou:
“Do Sul Global para o mundo, mostramos como deve ser uma transição energética justa e corajosa.”

Cristóbal Díaz de Valdés, diretor criativo do Funeral, afirmou:
“A América Latina assume um papel de liderança, com criatividade, firmeza e responsabilidade em um momento histórico.”

Juan Carlos Jintiach, secretário executivo da Aliança Global de Comunidades Territoriais (GATC), reforçou a urgência de ação:
“É fundamental que os governos da América Latina e do mundo estejam à altura desta COP histórica e mais humana. Cada vez que a floresta é destruída pela mineração ou pelo petróleo, a Mãe Terra sofre. No Equador reconhecemos os direitos da natureza; agora esperamos no Brasil uma rota clara para sair dos fósseis e proteger a biodiversidade e nossos direitos.”

Lina Torres, diretora de programas do Movilizatorio, afirmou:
“A vida é bonita e preciosa demais para permitir que os combustíveis fósseis a destruam. A COP30 é o espaço onde devemos decidir encerrar sua era e acelerar a jornada para um amanhã mais justo e próspero.”

Carolina Sánchez, da Red Gran Caribe Libre de Fósiles, lembrou os impactos regionais:
“As emissões dos fósseis aquecem o Mar do Caribe e geram furacões cada vez mais devastadores. Produzimos menos de 2% das emissões globais, mas sofremos os impactos mais severos. Já é hora de que os fósseis descansem em paz — e que o Caribe viva em paz.”

Inês Santos Ribero, coordenadora do Auto do Círio, ressaltou o poder da arte:
“Quando a arte vai para as ruas, a resistência se torna coletiva. Este funeral é um grito poético: a era dos fósseis precisa acabar.”

Michael Poland, da Fossil Fuel Treaty Initiative, destacou o consenso internacional crescente:
“Os combustíveis fósseis ameaçam a vida, a saúde e a biodiversidade global. Precisamos de uma rota vinculante e justa para eliminar carvão, petróleo e gás — por isso milhares de organizações e um número crescente de países defendem a negociação de um Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis.”

João Pedro Galvão Ramalho, da Cúpula dos Povos, completou:
“A Marcha Global expressa a diversidade das pessoas reunidas em Belém. Em plena crise climática, exigimos soluções reais dos territórios amazônicos e do Sul Global. O Funeral transforma essa voz coletiva em arte para afirmar uma mensagem urgente: fim dos combustíveis fósseis e uma Amazônia livre de petróleo e gás.”

Um imperativo civilizatório

A ciência é clara: os combustíveis fósseis causam mais de 5 milhões de mortes prematuras por ano devido à poluição do ar e são responsáveis pela maior parte das emissões que aquecem o planeta. Abandoná-los não é mais uma opção — é um imperativo ético, ambiental e civilizatório.

O Funeral dos Combustíveis Fósseis já se consolida como um marco na história das COPs — uma declaração cultural e política poderosa de que o mundo está pronto para deixar para trás uma indústria obsoleta e destrutiva e abraçar um futuro baseado na vida, na justiça e nas energias renováveis.