Essa semana, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a União e os estados da Amazônia Legal e do Pantanal informem, em 10 dias úteis, quais providências de planejamento e preparação vêm sendo adotadas para o enfrentamento do Super El Niño. Essa ação foi de extrema relevância, pois é importante percebermos que as políticas de prevenção nunca foram suficientes visto o aumento dos impactos.
Em 2024, quando acontecia um El Niño não tão forte como o previsto para este ano, o Brasil queimou uma área do tamanho da Itália inteira. Cerca de 30,8 milhões de hectares devastados, um aumento de 79% em relação a 2023, o maior índice desde 2019. Só a Amazônia perdeu 15,6 milhões de hectares, o maior volume já registrado em sua série histórica, segundo dados do MapBiomas.
Por causa dessas queimadas, respirar no coração da Amazônia era mais pior do que respirar em cidades reconhecidas por seu ar poluído, e isso foi sem um super El Niño.
Agora o INPE e o Ibama alertam: há grande probabilidade de temperaturas acima da média e persistência da estiagem na Amazônia e no Pantanal ao longo de 2026, com pico previsto entre setembro e outubro.
Os impactos não ficam só na floresta. Em 2024, a fumaça composta por partículas finas e gases tóxicos provocou aumento de internações por problemas respiratórios e mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave em várias regiões do país, especialmente entre crianças e idosos. A seca no norte do país, impacta também as outras regiões, já que, sem a umidade das nuvens saídas da floresta tropical, o sudeste, também fica com a clima ainda mais seco.
Sem planejamento, o ciclo se repete ano após ano:
1. Mais área queimada
2. Mais internações e mortes
3. Menos água nos rios e reservatórios
4. Maior utilização de termelétricas a gás, óleo e carvão
5. Mais bandeira vermelha na conta de luz
6. Piora da crise climática
Flávio Dino deu o START, mas é preciso reconhecer que o problema não é só ambiental. É de saúde pública. É econômico. É de infraestrutura. É humanitário.
A crise climática é uma pauta transversal, e a única forma de conseguirmos frear isso é parando de usar petróleo, gás e carvão como fontes de energia e fazendo uma transição energética justa.