17 novembro, 2025

Povos Indígenas lideram marcha na COP30 e 350.org reforça: “Não há justiça climática sem territórios demarcados e sem o fim dos fósseis”

Fotos e vídeos aqui – Crédito: Hugo Duchesne/350.org 

16 de novembro de 2025 – Belém (PA) – Na manhã de hoje, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) liderou a marcha global “A Resposta Somos Nós” na COP30, reunindo povos indígenas de todos os biomas brasileiros e delegações internacionais em um chamado coletivo por vida, futuro e justiça climática. A mobilização seguiu até o Bosque Rodrigues Alves – “a verdadeira Zona Verde”, como afirmam as lideranças – para exigir demarcação e proteção dos territórios, o fim dos combustíveis fósseis e acesso direto ao financiamento climático. A marcha também ocorreu em um contexto de crescentes violações de direitos, marcado por novos ataques contra povos indígenas no Brasil.

Dinaman Tuxá, coordenador executivo da APIB, destacou:
“Hoje, no Dia dos Povos Indígenas da COP30, estamos marchando para a verdadeira zona verde, o Bosque Rodrigues Alves, que é um espaço de resistência aqui de Belém, para reivindicar a demarcação e proteção das Terras Indígenas como política climática, o desmatamento zero, fim dos combustíveis fósseis e da mineração nos territórios.
Também não podemos esquecer da proteção dos povos indígenas, os verdadeiros guardiões do meio ambiente. Ontem tivemos mais um caso de violência contra o povo Guarani Kaiowá, que resultou no assassinato de um parente. Isso é inaceitável! Chega de genocídio! Queremos a demarcação e proteção dos nossos territórios.”

A mobilização ocorre em um momento crítico da COP30, quando as negociações sobre o fim dos combustíveis fósseis e o financiamento climático entram na fase decisiva, e logo após a divulgação do texto consultivo da Presidência, que abre a disputa final por um acordo com ambição real para 1,5°C.

350.org: “A resposta está com os povos e com coragem política para enfrentar os fósseis”

Para a 350.org, a mobilização liderada pela APIB destaca o que falta nos espaços oficiais da COP: ambição alinhada à ciência e direitos garantidos aos povos que protegem os biomas mais vitais do planeta.

Ilan Zugman, Diretor para América Latina da 350.org, afirmou:
“Não existe justiça climática sem a liderança dos povos indígenas e sem proteger seus territórios. Os povos indígenas estão há séculos fazendo o que os governos ainda não fazem: cuidando da floresta, do clima e da vida sem poluir. A COP30 só será histórica se entregar um roteiro claro para eliminar os combustíveis fósseis, triplicar as renováveis e garantir financiamento público direto para as comunidades que realmente protegem o planeta. Sem isso, não há resposta à altura da crise.”

FIM 

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